Plano contra gargalos no trânsito está parado há dois anos

Obras em 15 pontos de congestionamentos fazem parte da Agenda 2012. Para dois deles, nem projeto há

Fabiano Nunes,

01 Setembro 2011 | 04h02

JORNAL DA TARDE

O plano de obras criado para melhorar o trânsito em 15 cruzamentos da cidade de São Paulo está parado há pelo menos dois anos. Em março de 2009, a Prefeitura anunciou que faria intervenções nesses pontos, considerados de congestionamentos crônicos. Mas 29 meses após incluir essas obras como uma das metas da Agenda 2012, todos esses locais estão sem intervenção.

Para 13 desses gargalos, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informa que já tem projetos prontos. Já para os outros dois, nem essa etapa foi finalizada. A companhia prevê que as mudanças fiquem prontas até dezembro de 2012. Entre elas, estão alterações no sentido da circulação de veículos, alargamento de vias, abertura de canteiros e reconfiguração geométrica.

O cruzamento das avenidas do Estado e Cruzeiro do Sul, no Pari, na região central, é um dos 15 pontos críticos. No local, o tráfego de caminhões e ônibus é intenso, por conta do corredor de acesso para as Marginais, Via Dutra e Rodovia Castelo Branco. "Desde que os caminhões foram proibidos de circular na Marginal do Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes, essa região ficou intransitável", disse o mecânico José Gonçalves, de 56 anos, que trabalha na região há 30.

O comerciante Heleno Bernardo, de 52 anos, dono de um restaurante a poucos metros do cruzamento, chega a levar uma hora para percorrer uma distância de cerca de 2 km até o Parque Dom Pedro. "fica tudo travado. E não tenho opção", reclamou.

Para resolver o problema nesse cruzamento, a CET planeja fazer o alargamento da via e abertura do canteiro central.

Cuidado. Segundo o engenheiro Flamínio Fichmann, consultor de engenharia de tráfego, é preciso analisar cada intervenção, para saber se é necessária. "Muitas vezes é feito um investimento elevadíssimo para um retorno pífio. Às vezes, uma intervenção barata, como regular os semáforos, é mais eficiente".

No trecho que deve passar por intervenção na Radial Leste, entre o Viaduto Pires do Rio e Avenida Álvaro Ramos, no Tatuapé, já funciona uma faixa reversível nos horários de pico. A CET planeja agora alargar a via nesse ponto. Já na Avenida Rebouças, próximo ao Viaduto Okuhara Koei, os motoristas dizem que é preciso programar melhor os semáforos. "Quando o do início da Rebouças abre, para quem faz o retorno para a Avenida Paulista, o sinal de quem vem da Dr. Arnaldo fica fechado. Seria necessário instalar uns semáforos inteligentes na região", sugeriu o agente de serviço André de Araújo, de 29 anos. Para o local, a CET prevê alargamento de via e adequação geométrica. Depois, deve haver também intervenções no sistema de semáforos.

A CET estima que com as obras haverá aumento da velocidade média dos veículos e, assim, melhoria na fluidez e segurança viária. A companhia informou ainda que está elaborando o orçamento dos projetos para viabilizar as obras.

Crítica

Para o engenheiro Sérgio Ejzemberg, a Prefeitura já deveria ter planejado e executado um plano de fluidez. "Pequenas intervenções não levam mais de seis meses para o estudo e o projeto."

 

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