Plano de 2005 já previa portas corta-fogo no prédio

Desde 2003, o Ministério Público Estadual acompanha o processo de reforma e adequação do Hospital das Clínicas (HC). Com a abertura do Centro de Convenções Rebouças para eventos externos, no fim da década de 90, medidas de segurança passaram a ser exigidas pelo Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru).As mudanças começaram a ser feitas, incluindo a troca da fiação elétrica dos prédios do Instituto Central e dos Ambulatórios, em 2005. No mesmo ano, o HC apresentou projeto que contemplava todas as exigências do Contru e do Corpo de Bombeiros. Como o centro de convenções é interligado ao complexo hospitalar, as medidas de prevenção deveriam ser mais rígidas. Uma delas até hoje não saiu do papel: a instalação de novas portas corta-fogo.Orçamento de novembro de 2005 custeava a instalação das portas em cerca de R$ 650 mil. Apesar de o documento não mencionar o número de portas a serem instaladas, verificou-se que esse processo não sairia por menos de R$ 2 milhões. De acordo com a diretora do Núcleo de Arquitetura e Engenharia, Deise Figueiredo, em janeiro as portas devem ser instaladas. Mas, mesmo que isso já tivesse ocorrido, não mudariam as condições na hora do incêndio, diz ela. "Isso não impediria a fumaça de subir pelos dutos." O superintendente do HC, José Manoel Teixeira, nega que o fogo tenha começado na subestação de energia do Prédio dos Ambulatórios. Segundo ele, também não existe nenhum processo de licitação para a troca ou melhorias dessa instalação. "O fogo começou em outro andar, não tem nada a ver com isso", diz. "A subestação fica um andar abaixo de onde o fogo começou, do lado oposto do prédio." Segundo técnicos do HC, o o incêndio teve início em um duto de distribuição de cabos, chamado "shaft". Existem quatro dutos, um em cada extremidade do prédio. SERRANo Guarujá, o governador José Serra (PSDB) contestou números de execução orçamentária do HC apresentados ontem pelo Estado, que mostram que se usaram só 17,8% das verbas para manutenção. "Houve um engano na reportagem, que foi esclarecida previamente, mas manteve-se o equívoco. A verba de manutenção (do HC) foi usada quase que integralmente este ano e o problema que aconteceu (incêndio) está ligado à manutenção. Obras e reformas são questões diferentes. Eram obras e reformas destinadas ao hospital psiquiátrico, unidade radiológica, não tem nada a ver com o ambulatório, rigorosamente nada, e vão ser empenhadas até o fim do ano." Serra ressaltou que o hospital é uma autarquia, com independência administrativa em relação ao Estado. COLABOROU REJANE LIMA

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