Plano de 2006 está incompleto

Projeto previa mais conforto e redução de espera nos pontos

Bruno Tavares, Camilla Rigi e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2008 | 00h00

A menos de nove meses de encerrar o mandato, a gestão José Serra/Gilberto Kassab não conseguiu cumprir as principais metas do plano para a reorganização do transporte coletivo de São Paulo. Apresentado em março de 2006, em meio a uma grave crise financeira do sistema, o projeto previa a redução das linhas, diminuição do tempo de espera nos pontos e melhoria no nível de conforto dentro dos veículos, entre outras medidas. O objetivo do projeto era exatamente o mesmo do pacotão de trânsito iniciado ontem pela Prefeitura: oferecer um serviço de qualidade para incentivar a população a deixar o carro em casa.As mudanças anunciadas tinham prazo de 12 meses para serem aplicadas, mas até hoje permanecem incompletas. O aspecto mais visível para quem depende do transporte público é o tempo de espera nos pontos. Em 2006, segundo dados apresentados pelo secretário dos Transportes, Frederico Bussinger, os passageiros aguardavam 40 minutos por condução. A meta do governo era ambiciosa: reduzir pela metade a espera no sistema local (microônibus) e para 15 minutos no estrutural (ônibus).Se não bastasse a falta de avanços nesse quesito, o trânsito caótico de São Paulo agravou a situação de algumas linhas. ''Nos horários de pico, temos passageiros que aguardam de 40 a 50 minutos'', afirma Guilherme Corrêa Filho, presidente da Transcooper, a maior cooperativa da cidade. ''Por falta de coragem dos governantes, os velhos problemas permanecem: há concorrência predatória entre ônibus e microônibus, sobreposição de linhas e disputas por espaço nos corredores e nos terminais.''Mesmo nos itens em que houve mudanças, os resultados foram tímidos, quando comparados ao projeto original. O número de linhas, por exemplo, deveria ter caído de 1.305 para 813 (37,7%). No entanto, de acordo com números relativos a fevereiro, São Paulo ainda têm 978 itinerários ativos, o que equivale a uma redução de 25%.A oferta de lugares também deveria ter crescido de 903 mil por dia para 1 milhão. O Estado solicitou à Secretaria dos Transportes o número atual, mas a Assessoria de Imprensa da pasta informou que o secretário Alexandre de Moraes não comentaria o projeto do antecessor. Se a oferta acompanhou o crescimento da frota, a quantidade de assentos hoje continua abaixo do previsto no plano.Outra meta era reduzir a concentração de ônibus nos corredores, o que aumentaria a velocidade média tanto nas ruas quanto nas faixas exclusivas. O plano fracassou e não houve melhoria de velocidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.