PM absolvido da morte menino é solto e volta a trabalhar no Rio

Cabo vai fazer trabalhos internos no 6º Batalhão, na Tijuca; ele foi solto na quinta-feira, após decisão do júri

Da Redação,

12 de dezembro de 2008 | 11h38

Absolvido da acusação de homicídio doloso, o cabo da Polícia Militar William de Paula, acusado de causar a morte do menino João Roberto, de 3 anos, foi solto na quinta-feira, 11. Segundo a PM, ele vai voltar ao trabalho interno no 6º Batalhão, na Tijuca. De Paula foi inocentado pelo júri popular, mas foi condenado a trabalho voluntário por lesão corporal leve à mãe e ao irmão de João Roberto.   Veja também: Se eu fosse o pai estaria revoltado, diz Cabral sobre absolvição Pai de João Roberto diz que ainda acredita na Justiça Decisão dá 'carta branca' para PM matar, diz promotor do Rio Promotor fala que decisão foi desrespeitosa com a sociedade  MP vai recorrer da absolvição de PM no caso João Roberto PM é absolvido no caso João Roberto Todas as notícias sobre o caso        O Ministério Público e a acusação entraram com recurso da decisão judicial. O promotor do caso, Paulo Rangel, afirmou que a absolvição do cabo é uma "carta branca" para a PM matar quem quiser. "É uma aberração jurídica", disse o promotor, que entrou com recurso do julgamento logo após o juiz Paulo Baldez, que presidia o julgamento no 2º Tribunal do Júri da capital, ler a decisão dos sete jurados. De Paula foi absolvido da acusação de homicídio culposo - pela morte do menino -, mas foi condenado a 7 meses e prestação de serviços por lesão corporal leve à mãe do garoto. A expectativa do promotor é de que o caso seja julgado novamente em 2009.   O pai de João Roberto, o taxista Paulo Roberto Soares, apesar de revoltado, disse que confia na Justiça. A decisão revoltou parentes e amigos do menino. "Estou chocada. Meu filho morreu em vão. Houve dolo (intenção). Ficou comprovado que houve dolo. (Para os jurados) Ele (o PM)cumpriu o dever dele: matou o meu filho", reagiu Alessandra, chorando muito.   O advogado Nilo Batista, que atuou como assistente da acusação, classificou a decisão do corpo de jurados, composto por uma mulher e seis homens, de "monstruosa". "Eles estabeleceram que existe uma pena de morte para o roubo de carros e que deve ser cumprida pelo PM que estiver mais próximo".   Julgamento   Durante o julgamento, o PM reconheceu que confundiu o carro da mãe da criança, Alessandra Amorim, com o veículo em que estavam três criminosos que perseguia na Tijuca. Alessandra e os dois filhos, João Roberto e Vinicius, que tinha 9 meses, estavam em um Palio prata e os homens em um Stilo preto. O garoto foi atingido por um tiro na cabeça. Apesar de reconhecer a confusão dos veículos, o PM disse acreditar que o tiro fatal tenha partido dos bandidos.   Ao se aproximar do veículo, o PM fez três disparos - um de um de advertência, outro que atingiu um carro parado na rua, e um terceiro, que furou o pneu do carro da vítima. "Infelizmente, eu passei a acreditar que era o carro dos meliantes. No meu inconsciente, era o Fiat Stillo de cor escura", disse ao juiz.   De Paula disse que não percebeu que a bolsa que Alessandra havia jogado para fora do carro, a fim de alertar os policiais de que havia crianças no veículo, era uma sacola de bebê. Ele lamentou o ocorrido e disse que ficou traumatizado. Ao juiz, disse que a cena foi tão chocante que não teve condições de retirar João Roberto do carro.   O policial, que está há 11 anos na corporação, contou que não passa por curso de reciclagem há três anos. Ele também nunca cursou técnicas de abordagem. Disse apenas que recebeu instruções sobre como abordar carro e perseguir automóvel em fuga. "Infelizmente, naquele momento ali era o meio que eu pude usar", comentou.     (Com informações da Agência Brasil)

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