PM acusado de liberar atropelador do filho de Cissa se diz esquizofrênico

Em depoimento, sargento voltou a negar ter recebido propina do pai de Rafael Mascarenhas

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2010 | 17h18

RIO - Acusado de liberar o atropelador do filho da atriz Cissa Guimarães em troca de propina, o sargento Marcelo Leal, do 23º Batalhão de Polícia Militar do Leblon, alegou que é esquizofrênico em depoimento nesta quinta-feira, 26, à Justiça Militar. Ele negou ter recebido dinheiro do empresário Roberto Bussamra, pai do universitário Rafael Bussamra, de 25 anos, que na madrugada de 20 de julho dirigia o carro que atropelou e matou Rafael Mascarenhas, de 18 anos.

 

O jovem andava de skate com amigos no Túnel Acústico, na Gávea (zona sul), que estava interditado para obras. Hoje, o sargento e o cabo Marcelo Bigon prestaram depoimento no processo que pode expulsar a dupla da corporação.

 

O advogado do sargento, Ekner Maia, alegou que o policial ficou dois anos afastado do serviço na década de 90 por uma crise de esquizofrenia e voltou a trabalhar sem passar por nenhuma avaliação médica. Os policiais são acusados de liberar Rafael Bussamra do local do atropelamento em troca de R$ 10 mil.

 

Os PMs também apresentaram um Termo de Registro de Ocorrência onde descreviam que o Siena preto do atropelador não tinha irregularidades, apesar do imenso amassado, vidros e para-choque quebrados. Os PMs teriam recebido no dia da tragédia R$ 1 mil e acertaram um encontro no dia seguinte para receber o restante. No entanto, o empresário desistiu ao saber que a vítima era filho da atriz e a morte dele repercutia na mídia.

 

Na segunda-feira, o Ministério Público do Rio, junto à Auditoria de Justiça Militar, denunciou os PMs por corrupção passiva, falsidade ideológica e descumprimento de função. Caso sejam condenados pelos três crimes, os policiais podem pegar de 3 a 8 anos de prisão.

 

Na semana passada, o Inquérito Policial Militar (IPM) concluiu que o empresário praticou corrupção ativa e o denunciará ao Ministério Público. A delegada titular da 15ª Delegacia de Polícia da Gávea, Bárbara Lomba, deve concluir nos próximos dias o inquérito sobre a morte do filho da atriz. Rafael Bussamra pode ser indiciado por homicídio culposo ou doloso (com a intenção de matar).

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