PM admite dificuldade para coibir flanelinhas

Guardadores chegam a demarcar ?suas vagas? com cones ou caixotes

Edison Veiga e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

03 de maio de 2009 | 00h00

A Polícia Militar sabe bem quais são os pontos de atuação mais corriqueira dos flanelinhas. "Eles agem próximo a universidades, ruas comerciais, locais de eventos e parques", afirma o porta-voz da corporação, capitão Emerson Macera. Coibi-los, porém, não é fácil. Macera explica que atender o veículo não é crime. "O que combatemos é a extorsão (de dinheiro), quando o flanelinha exige pagamento antecipado, por exemplo."E há dificuldades. "Se não prendemos em flagrante, fica quase impossível agir. Muitas vezes, quem denuncia não se dispõe a aguardar até que uma viatura acompanhe o caso. Geralmente, as pessoas estão indo a algum evento e não querem esperar." Macera frisa que, embora não tenha estatística sobre o assunto, semanalmente dezenas de flanelinhas são conduzidos às delegacias de polícia, acusados de danos a veículos, ameaças, furtos, roubos e achaque.Os flanelinhas da Praça Charles Miller, no Pacaembu, também lucram vendendo cartões de Zona Azul - mesmo havendo ali uma banca de jornal credenciada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para comercializar talões e um posto de Zona Azul. "Eu só estou tentando tirar uma ?graninha? honestamente", diz o flanelinha Juliano. Ele compra cada cartão na banca por R$ 1,80 e, "dependendo do movimento", chega a vender por até R$ 10.Os flanelinhas realizam ainda um serviço extra para evitar que alguns "clientes" sejam multados por não utilizar o cartão. Ficam com as chaves dos carros e colocam um cartão no vidro somente quando um fiscal se aproxima. A CET informou que comercializar os cartões sem ser credenciado e desrespeitando o preço oficial é ilegal. "Eles (os agentes) não podem abordar o vendedor (irregular), porque não têm poder de polícia", explicou, por meio da Assessoria de Imprensa. "Os agentes são orientados a comunicar a Central de Operações." Em nenhum momento, ao longo das duas horas em que a reportagem do Estado esteve no Pacaembu, na noite de terça, Juliano foi abordado por PMs. Muitos universitários são clientes cativos dos flanelinhas. Carmen Lazzari, de 22 anos, que cursa Publicidade na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), chegou a pagar R$ 60 por mês para um deles. Depois que teve o veículo arrombado, em 2007, decidiu parar o carro na Praça Charles Miller. "Ali também tem flanelinha, mas é mais movimentado e sempre vejo policiais", diz. No único dia desde então que precisou estacionar mais perto da faculdade, um flanelinha cobrou R$ 10 para cuidar do carro. "Quando afirmei que não tinha dinheiro, ele disse que me acompanhava até o banco. Recusei e depois recebi a ?conta?", relata, mostrando o carro riscado. Na região da Pontifícia Universidade Católica (PUC), a situação é parecida. Com vagas bloqueadas por cones ou caixotes, ninguém consegue estacionar se não pagar aos flanelinhas mensalidades que variam de R$ 35 a R$ 80, ou diárias a partir de R$ 2. "Não tem nada mais frustrante do que pagar por isso, porque sei que é errado", diz o estudante de Direito Felipe Fleury, de 21 anos. "Mas, se você parar para discutir, vai voltar e encontrar o carro todo riscado. O pior é que sempre tem polícia por ali e ninguém faz nada." Estacionamentos da região cobram mensalidades de, em média, R$ 130.

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