PM admite erro em morte de faxineiro

Rogério Santos Dias tinha 33 anos e ficha criminal limpa. Trabalhava na faxina do Hospital Samaritano. Casado, pai de um garoto de 10 anos, nunca andou armado. Anteontem à noite, Dias foi baleado por policiais militares perto da casa da sogra. Morreu no Hospital Planalto, zona leste. Os PMs tentaram incriminar a vítima: afirmaram que Dias estava num carro perseguido e atirou. Apresentaram até uma pistola usada pelo suspeito. Ontem à tarde, a Corregedoria da Polícia Militar admitiu: Dias era inocente e foi morto por uma bala perdida. Pouco antes de Dias ser baleado, policiais da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam perseguiam um Escort cinza escuro, sem queixa de roubo. Iniciada no centro de Itaquera, a perseguição acabou na Rua Bignônia, em Cidade A.E. Carvalho ? onde mora a mãe da auxiliar de enfermagem Vanda Barbosa da Silva, de 30, mulher de Dias.Segundo o tenente-coronel Ricardo Ferreira, do 39º Batalhão, o cabo Marcelo Batista de Moraes e o soldado Róbson Constantino de Araújo afirmaram que Dias estava no Escort e desceu atirando. Como prova, levaram ao 64º Distrito uma pistola calibre 7.65 milímetros. ?Meu cunhado não tinha nada a ver com o Escort?, disse o bicicleteiro Antônio Carlos da Silva, de 37. Segundo ele, Dias jantou com a sogra, e, pouco antes das 20 horas, saiu com o filho, Guilherme, para pegar a mulher no metrô em seu Fox cinza. ?A Vanda vinha trazer um remédio para minha mãe. Ela e o moleque desceram do carro e meu cunhado foi atender ao orelhão.? O orelhão, a 50 metros da casa da mãe de Vanda, é usado para recados por membros da família que não têm telefone. ?Aí apareceu o Escort. A gente ouviu tiro e todo mundo correu. Depois, outro tiro. Meu cunhado, que tentou se proteger numa viela, foi baleado.? Vanda ainda tentou reanimar o marido, levado ao hospital num carro da PM.A arma só pode ter sido plantada pelos policiais?, afirmou o aposentado Aparecido Dias, de 61, pai do faxineiro. ?Cometeram um erro, mataram um inocente, e estão tentando encobrir com outro erro.Apesar de a versão da família ter sido repetida inúmeras vezes no DP, o delegado Guilherme Solano Filho registrou o caso como resistência seguida de morte. Os PMs apareceram como vítimas. ?Registrei assim porque a perseguição existiu e há uma arma. Como a situação não está esclarecida, o faxineiro não aparece como indiciado, só como averiguado.?Nova versãoÀ tarde, a Corregedoria da PM informou que Dias foi atingido por uma bala perdida e não por ter resistido. ?Ele não era marginal nem foi morto em uma execução. Foi atingido porque viu os marginais correndo em direção à entrada da viela e correu. Foi uma triste coincidência?, disse o capitão Marcelino Fernandes da Silva.O projétil que matou Dias foi encaminhado ao Instituto de Criminalística para confronto balístico, que vai determinar de qual arma partiu o disparo. Segundo o oficial, os dois PMs que participaram do confronto usavam pistolas .40. As duas armas e também a pistola supostamente achada ao lado do corpo de Dias, foram apreendidas. Colaborou Rita Magalhães

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