PM admite erro que resultou na morte de mulher em Copacabana

A Polícia Militar reconheceu, nesta sexta-feira, que errou durante a perseguição ao assaltante em Copacabana que resultou na morte da dona-de-casa Aparecida Saad, de 63 anos, há três dias.O comandante do batalhão de PM do bairro, coronel Dario Cony, disse que houve precipitação de alguns policiais ? que atiraram contra o carro onde Aparecida estava com o marido na tentativa de acertar o bandido ?, mas ressalvou que o tiro que a matou pode ter partido da arma de algum dos seguranças das lojas da região.ProcessoA família deverá processar o Estado, caso fique comprovado que a PM foi culpada. ?Pela quantidade de tiros disparados, sabemos que não foi só a PM que atirou. Testemunhas contaram que seguranças que estavam à direita do veículo (onde Aparecida estava) atiraram diversas vezes?, disse o coronel Cony.Ele acrescentou que o procedimento correto não é disparar a esmo para tentar evitar uma fuga. Um inquérito policial-militar (IPM) já foi aberto para apurar responsabilidades no caso. As armas dos PMs e dos cinco bandidos ? que haviam tentado assaltar uma imobiliária pouco antes ? já foram apreendidas, mas, como o projétil que perfurou a cabeça de Aparecida ainda não foi encontrado no carro, mesmo depois de duas vistorias, a polícia conta com os depoimentos que serão colhidos para saber de onde partiu o disparo.Terceira períciaNesta sexta-feira, o automóvel foi encaminhado para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli para uma terceira perícia, que não teve o resultado divulgado até o fim da tarde desta sexta. ?Se tivermos a bala, dá para saber de que arma partiu o tiro. Mas poderemos esclarecer o caso com os testemunhos?, disse o delegado Ivo Raposo Junior.Ele acredita que os seguranças vão falar a verdade se perceberem que a suspeita está caindo sobre eles. Dois deles já foram identificados. O exame de balística das armas recolhidas só deverá ficar pronto no fim do mês. O viúvo de Aparecida, Racib Saad, de 67 anos, vai processar o Estado se o resultado das investigações mostrar que ela foi morta por um PM.Saad afirma que foi um PMO advogado da família, Marcolino Neves, que é cunhado da dona-de-casa, disse que Saad não tem dúvida de que foi um PM que atirou. ?O carro estava cercado por carros da PM. Ele pediu para não atirarem porque o bandido (que apontava uma pistola para a cabeça de Saad e tinha uma granada na outra mão) se entregaria. Mas eles dispararam várias vezes?, disse o advogado.?Vamos processar o Estado, até mesmo por uma questão moral.? Abalado, Saad, considerado testemunha-chave, só será ouvido na segunda-feira. Na quarta-feira, três homens tentaram assaltar a administradora de imóveis Palmares em Copacabana, mas a PM chegou e eles fugiram. Renderam o casal no carro, mas o veículo foi interceptado pela polícia. Três foram presos ? dois baleados ? e dois fugiram. Aparecida, que havia deixado um salão de cabeleireiro, estava no banco do carona e morreu na hora.

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