PM afasta agentes que liberaram motorista que atropelou filho de Cissa

Imagens das câmeras da CET-Rio revelam que policiais que abordaram o veículo que matou Rafael Mascarenhas estavam a menos de 200 m do local do acidente

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo

21 Julho 2010 | 13h20

Fiat Siena que atropelou Rafael Mascarenhas passa por perícia no Rio

 

RIO - A Policia Militar do Rio de Janeiro afastou os dois PMs que liberaram o motorista Rafael de Souza Bussamra, de 25 anos, que atropelou e matou o estudante Rafael Mascarenhas, de 18 anos, na madrugada de segunda-feira, no Túnel Zuzu Angel, na Gávea na Zona Sul da Cidade. De acordo com nota da corporação, será "investigado com rigor o ocorrido."

 

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Esta nova informação desmentiu a primeira nota da Polícia Militar afirmando que o atropelado foi liberado por falta de evidencias do envolvimento do veículo no acidente. O carro, um Fiat Siena, placa KXR 0394, foi recolhido esta manhã pela 15ª Delegacias de Polícia e apresenta nítidos avarias: está com o capô da frente completamente amassado e sem o vidro dianteiro.

DEPOIMENTOS

 

Bussamra disse em depoimento que avisou os PMs sobre o acidente e que foi orientado por eles se dirigir à delegacia. Em nota, a PM informou hoje que o acusado não avisou sobre o acidente e foi liberado porque estava com a documentação em dia e o carro não tinha avarias aparentes. O carro foi liberado, apesar de ter sido abordado pelos PMs em uma via interditada.

 

Ainda de acordo com a polícia, assim que o 23º BPM (Leblon) teve conhecimento do crime no interior do túnel tomou as devidas providências, isolando o local para a perícia. Neste local, foi encontrada a placa do veículo utilizado no crime, fato fundamental para a identificação do autor. Todas as informações foram passadas para a Polícia Civil.

 

ADVOGADO

 

O advogado Técio Lins e Silva, que representa a família do estudante disse que considera estranha a atitude dos policiais que liberaram o motorista. Apesar de ressaltar que ainda é cedo, o advogado não descartou a possibilidade do indiciamento do motorista por homicídio doloso. "Os tribunais vêm compreendendo que esses rachas são homicídios dolosos, pois o agente assume o risco de morte", disse Lins e Silva.

 

A pena para homicídio culposo (não-intencional) chega a no máximo 3 anos de prisão. Já no homicídio doloso simples (com intenção de matar), as penas variam de 6 a 20 anos.

 

 

Texto atualizado às 13h50. 

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