PM descobre megatúnel do PCC

Com 120 metros, ele serviria para fuga em massa em Avaré; após 6 meses de investigações, cinco são presos

Josmar Jozino e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2009 | 00h00

O mais importante plano de fuga elaborado pela cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi desarticulado ontem à noite. Um túnel de mais de uma centena de metros na Penitenciária 1 de Avaré, presídio de segurança máxima que já abrigou até o líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi encontrado, drogas foram apreendidas e cinco integrantes da organização criminosa foram presos.A investigação para desarticular o plano de fuga durou seis meses e foi um trabalho conjunto entre o serviço de informações da Polícia Militar e da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Até as 22h30 de ontem, os policiais militares ainda estavam vasculhando o interior do túnel. Duas casas, uma delas com 15 beliches, haviam sido alugadas pela facção criminosa na cidade.A desconfiança dos serviços de informação é que o túnel ou uma tomada de assalto do presídio seriam os métodos usados pela facção para uma fuga em massa de presos. Um informante contou aos policiais que R$ 600 mil foram gastos. Pelo menos cinco pistolas estariam no interior do túnel, mas a polícia desconfia que o lugar esconda também fuzis.Uma das casas usadas pelo grupo ficaria na Rua José Constâncio, perto da penitenciária. Seria nela que terminaria o túnel. A casa, segundo um vizinho, foi comprada em novembro por R$ 80 mil. Seus novos donos ergueram um muro alto. Eles colocavam muitos sacos de lixo grande rua e chegavam de noite em três carros: um Uno, uma Parati e um Gol.O informante dos serviços de inteligência contou que a cúpula da facção havia mandado uma mulher chamada Márcia cuidar dos contatos entre os criminosos envolvidos na construção do túnel em Avaré e os integrantes do PCC em São Paulo.Segundo os serviços de informações, essa mulher teria há um mês recebido a tarefa de apanhar um fuzil que estava guardado em Avaré e trazê-lo para São Paulo. A construção do túnel teria sido arquitetada por dois líderes do PCC. Trata-se de Roberto Soriano, o Tiriça, e Fabiano Alves de Souza, o Biano - ambos foram transferidos de Avaré para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Outro líder da facção que restaria envolvido com "essa caminhada" seria o traficante Edílson Nogueira Borges, o Biroska. Nas investigações, a SAP transferiu todas as lideranças do PCC que estavam em Avaré para outros presídios como forma de tentar desarticular a fuga - os últimos três foram transferidos na sexta-feira passada. A facção então decidiu autorizar a continuidade do plano mesmo que dele não se beneficiasse seus líderes. Até uma cozinheira foi enviada para Avaré para trabalhar nas casas alugadas pelos bandidos.Como não conseguiam localizar o esconderijo dos criminosos, a PM mobilizou um helicóptero para tentar encontrar as casas alugadas - uma delas em uma chácara. O aparelho sobrevoou a cidade no sábado e no domingo atrás dos imóveis.O informante contou ontem que dois homens e uma mulher haviam saído de São Paulo para reativar o túnel. Sua construção havia sido paralisada depois que outro plano da facção foi desbaratado pelo serviço de informações da PM: o envio em fevereiro de um pistoleiro de São Paulo para matar agentes prisionais da Penitenciária de Presidente Bernardes. O pistoleiro foi preso em um shopping em Presidente Prudente. A decisão de retomar o plano de fuga teria sido tomada pela cúpula do PCC. Os dois homens e a mulher foram seguidos de São Paulo até Avaré, onde foram presos. A mulher, então, teria levado os policiais militares até o túnel, que teria cerca de 120 metros de extensão, iluminação e ventilação artificiais. O local da outra casa não foi revelado pela polícia nem as identidades dos acusados presos. O Corpo de Bombeiros deve continuar hoje as buscas no túnel.

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