PM desocupa área invadida por sem-teto em Curitiba

Ao menos três foram feridos, entre eles uma criança, e outras três pessoas foram presas

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2008 | 18h43

A Polícia Militar do Paraná precisou utilizar-se de bombas de efeito moral e balas de borracha para desocupar, na manhã desta quinta-feira, 23, uma área particular invadida desde o dia 6 de setembro no bairro Fazendinha, na zona sul de Curitiba. Os policiais foram recebidos com pedras e tijolos. Três pessoas tiveram ferimentos leves, segundo registro da PM, e três foram detidas - duas por porte ilegal de armas e uma por desacato.   De acordo com o Movimento Nacional da União por Moradias Populares, cerca de 1,5 mil famílias viviam no local, que tem 170 mil metros quadrados e pertence à Varuna Empreendimentos Imobiliários, do Grupo Hafil Empreendimentos. A ordem de reintegração de posse foi concedida pela Justiça, no dia 15 de setembro. O prazo dado pela Justiça para que eles saíssem pacificamente encerrou-se cinco dias depois.   O coordenador da Central de Movimentos Populares, Luiz Herlain, disse que, depois disso, enviou ofícios à prefeitura para discutir uma solução pacífica, mas não foi atendido. A assessoria da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) informou que recebeu apenas um ofício e a resposta ainda estava em análise. "O que houve aqui hoje é uma total falência da administração pública", afirmou Herlain. "Fracassaram a Justiça, o Legislativo e o Executivo." Segundo ele, a área não cumpre a função social. Ele também acusou a polícia de uso "excessivo" de força.   Desde as 5 horas da manhã, os moradores já estavam preparados para receber a polícia, fechando algumas ruas com pneus em chamas. Os cerca de 950 homens da Polícia Militar chegaram às 7h30, juntamente com o oficial de Justiça. "Fomos conversando e dando prazo para que se retirassem", disse o major Antônio Zanatta Neto, da Comunicação Social da PM. Por volta das 9 horas, os policiais decidiram agir. "Todos os policiais receberam instruções específicas para a preservação da integridade física e moral de todas as pessoas, sempre em respeito aos direitos humanos", acentuou o major.   O grupo de ocupantes do terreno colocou barreiras humanas, em que se destacavam mulheres e crianças, para contê-los. No entanto, na medida em que os policiais avançavam, houve um princípio de confronto com pedras e tijolos de um lado e bombas de efeito moral e balas de borracha do outro. Imediatamente as pessoas que impediam a entrada dos policiais dispersaram-se. A ação demorou menos de uma hora. O dono do terreno colocou veículos à disposição das pessoas para levar os pertences aos locais de origem.   Os feridos identificados foram uma criança de oito anos, que queimou a perna em um dos pneus; uma ocupante do terreno, Zelinda Alves, de 38 anos, que recebeu uma bala de borracha no tornozelo; e o cinegrafista Anderson Leandro da Silva, de uma produtora, atingido por uma bala de borracha no rosto. Ninguém precisou permanecer hospitalizado. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná disse, em nota, que pediria esclarecimentos à Secretaria da Segurança Pública. No Grupo Hafil, a informação era de que os diretores estavam viajando.

Mais conteúdo sobre:
sem-teto PM Curitiba

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.