PM do Rio defende policias de ação que matou administrador

RP da polícia diz que os PMs agiram em "legítima defesa" e reagiram "a uma injusta agressão"

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2008 | 15h39

O relações pública da Polícia Militar do Rio, tenente-coronel Rogério Leitão, defendeu a atuação de quatro policiais militares durante uma operação policial que resultou na morte do administrador Luiz Carlos Soares da Costa, na noite de segunda. Segundo ele, os policiais agiram em "legítima defesa" e reagiram "a uma injusta agressão".   Vídeo exibe flagrante da morte de administrador no Rio   Segundo o oficial, "um detalhe fundamental é que não houve disparos durante a perseguição. Eles reagiram legalmente", afirmou durante entrevista coletiva. Um Inquérito Policial Milita (IPM) foi aberto para apurar a ocorrência, "como de praxe". Os policiais foram afastados do serviço nas ruas e fazem, até a conclusão do IPM, trabalhos burocráticos dentro do batalhão.   Depois de assistir às imagens do jornal SBT, que mostram os policiais militares arrastando pelas pernas o assaltante Jefferson Leal e o corpo de Luiz Carlos antes de os levarem para atendimento no hospital, o tenente-coronel informou que o "desvio de conduta" dos policiais será apurado no IPM. "Não é a forma adequada de prestar o socorro e há várias punições que podem ser aplicadas, desde a prisão por 30 dias até a expulsão".   Histórico de violência policial   Nunca policiais fluminenses mataram tanto quanto neste ano. E se distanciaram ainda mais num ranking negativo: é a polícia que mais mata no mundo, como já mostravam dados de 2003. Um em cada cinco homicídios, como a execução do menino João Roberto, de 3 anos, há menos de dez dias, tem como autor um policial. Entre os Estados brasileiros e países que registram dados oficiais, os 1.195 autos de resistência - quando o agente alega ter matado em confronto - de 2003 já superavam todos os casos na Europa e na América do Norte.   Em todas as divisões dos Estados Unidos, registraram-se 370 vítimas em ações policiais. Nem mesmo as forças sul-africanas, consideradas as mais violentas do mundo, chegaram perto dos colegas fluminenses no período - 681 vítimas. Só o Estado de São Paulo, com 756 registros, se aproximou. Na comparação com países europeus, havia um abismo. Duas pessoas foram mortas em confronto com a polícia francesa em 2003, mesmo número registrado no Reino Unido. Em Portugal, apenas uma pessoa morreu nesse período. Na América Latina, o líder negativo era a Argentina, mesmo assim com 288 vítimas.No ano passado, porém, as diferenças entre paulistas e fluminenses se acentuaram. No Estado de São Paulo, houve 377 autos de resistência; no Rio, foram 1.330. Para piorar, o total de mortes em confronto registrados no Estado vizinho avançou 12% entre janeiro e abril deste ano (502 autos de resistência) em relação ao mesmo período do ano passado (449 casos).   (Colaborou Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo)

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