PM é acusada de não dar proteção à família ameaçada por traficantes

O delegado Herald Espínola, titular da20.ª Delegacia de Polícia (Vila Isabel), criticou hoje a supostaomissão da Polícia Militar no socorro de uma família expulsa portraficantes do morro dos Macacos na noite de ontem(24). Segundoele, a polícia teria sido acionada, mas se recusou a subir afavela para resgatar as sete pessoas, entre elas um bebê,ameaçadas porque um membro da famíla teria sido confundido comum informante da PM - eles tiveram de se esconder dos criminososem um matagal. "Se não quer subir morro, é melhor ser bancário do quepolicial. E bancário de tesouraria, para não correr o risco deser assaltado na agência", afirmou o delegado. Mais tarde osecretário da Segurança Pública do RJ, Roberto Aguiar, negou quetenha havido omissão por parte da PM e disse que, na verdade,houve uma "falha de comunicação" na frequência das políciasCivil e Militar e uma "falha de interpretação" do pedido deajuda feito pelo serviço 190 por um membro da família que nãomora no morro. De acordo com o secretário, foi feito um pedido deocupação e não uma solicitação de resgate. "Não houve omissãoda Polícia Militar, em absoluto", afirmou Aguiar. O subsecretário Operacional, Carlos Leba, explicou quepoliciais civis e não militares foram deslocados para o Morrodos Macacos porque estariam na Tijuca, zona norte, próximo aomorro. "O chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, conversoucom o comandante da PM, Francisco Braz", disse Leba. Os policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais(Core) tiveram o apoio de policiais da 20ª DP, segundo Espínola.Além das sete pessoas que estavam na casa, mais cinco membros dafamília foram expulsos do morro por integrantes da facçãocriminosa Terceiro Comando, que controla o tráfico de drogas nafavela. Eles foram obrigados a deixar o local com a proteção daPolícia Civil e hoje, novamente sob escolta policial, voltarampara apanhar roupas, móveis e eletrodomésticos de suas casas. O desespero da família começou na tarde de quarta-feira,quando os bandidos chegaram na casa, no alto do morro, a procurado pedreiro L.C.S., acusado pelos traficantes de ser informanteda polícia. Naquele momento, apenas seis pessoas estavam emcasa. Foi a mulher do pedreiro que usou o celular para avisar aomarido sobre a ameaça dos traficantes. No início da noite os traficantes voltaram, armados defuzil, e pegaram um vizinho, que ajudava na obra que está sendofeita no imóvel. O rapaz foi encapuzado e espancado. Os sete membros dafamília ( dois meninos de 6 e 8 anos, uma adolescente e um bebêde três meses, além do pedreiro e de sua mulher e da cunhada) seesconderam em um matagal do morro. L.C.S. usou um celular para pedir ajuda ao irmão D., quemora em outra comunidade e presta serviço de pedreiro numaassociação de policiais militares. D. telefonou para o 190 da PM pedindo ajuda aos policiais do 6º Batalhão (Tijuca). Segundo odelegado Espínola, o tenente-coronel Ademar se recusou a subir omorro à noite. D., então, buscou ajuda na 20ª DP. Logo depois, opedreiro conseguiu descer o morro e conseguiu ajuda de umaequipe do Core, que fazia ronda no bairro. Na delegacia, L.C.S. encontrou seu irmão D. Equipes deEspínola e do Core foram até o morro, por volta das 18 horas,onde foram recebidos à bala pelos traficantes. A troca de tirosdurou cerca de cinco horas. A polícia conseguiu resgatar as seispessoas, que passaram a noite na 20ª DP. L.C.S. contou aodelegado que foi confundido, pelos traficantes, com seu irmão,que faz trabalhos na associação dos policiais. Durante as duas horas em que a família retirou seuspertences de casa, nenhuma patrulha da PM esteve no morro. Umadas mulheres, que não quis se identicar, lamentou a violência:"Não sei o que vou fazer e entrego a Deus o nosso destino".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.