PM é morto por soldado em bar da zona sul de SP

O disparo, de metralhadora, teria sido acidental; rapaz não tinha permissão para portar arma

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

08 Outubro 2008 | 00h00

Um tiro de metralhadora, disparado por um colega de farda, matou anteontem o sargento da Polícia Militar Renato Cavalini Fracalossi, de 40 anos. Segundo a PM, a vítima jantava em um bar, na Rua Tabapuã, no Itaim-Bibi, zona sul de São Paulo, quando foi atingida por um disparo acidental. A arma estava com um soldado. O rapaz não teve o nome divulgado e foi preso em flagrante por homicídio culposo.Outro sargento, que também não teve o nome informado, foi detido pelo mesmo crime por ter deixado a metralhadora com um soldado. Na corporação, apenas alguns policiais - entre eles tenente, aspirante, capitão, major e coronel - podem portar esse tipo de armamento.Eram 21h30 de segunda-feira. Fracalossi e dois PMs - todos de folga - terminavam de comer quando o sargento e o soldado apareceram, ambos fardados. Eles foram ao local pegar marmitas. Na hora de irem embora, o sargento estava com as mãos cheias de sacolas. O soldado então pegou a metralhadora. Quando se despedia de Fracalossi,dentro do banheiro, houve o disparo.De acordo com a PM, o sargento foi atingido nas costas, na altura do ombro, e levado com vida para o Hospital das Clínicas. Ele passou por cirurgia e morreu às 3h30.O banheiro do bar ficou isolado e, segundo a PM, a perícia foi chamada pela Corregedoria do Tribunal de Justiça Militar. Ontem, o estabelecimento abriu normalmente. Um dos proprietários, Marinaldo Pires, contou que no momento do tiro poucos clientes estavam ali. "Por volta das 22 horas o movimento começa a diminuir." Segundo Pires, o sargento costumava comer no local em dias de folga. POLÊMICAApesar de Fracalossi ter sido morto de folga e sem estar de farda, a corporação considerou o caso um crime militar. Por isso, não apresentou a ocorrência para a Polícia Civil e instaurou Inquérito Policial Militar (IPM), o que criou polêmica entre policiais civis.A reportagem apurou que funcionários do 15º DP (Itaim-Bibi), a 100 metros do bar, não foram avisados do crime. Um pedestre que passava pelo local teria comentado com um investigador, mas não foi feito boletim de ocorrência.A promotora de Justiça Mildred de Assis Gonzales, do 5º Tribunal do Júri, explicou que, por estar fora de serviço no momento do assassinato, o PM responsável deve responder à Polícia Civil pelo ocorrido. "Só é de competência da Polícia Militar o que acontece entre policiais em serviço, em todos os outros casos deve-se registrar BO na Polícia Civil." COLABOROU LAÍS CATASSINI

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