PM exonera líderes e provoca tensão na polícia da BA

O clima entre o comando da polícia baiana e as lideranças dos policiais civis e militares que organizaram a greve de 13 dias em julho não pode ser pior: a exoneração determinada segunda-feira pelo Comando Geral da Polícia Militar, do sargento Manoel Isidório de Santana e a soldado Andréa Xavier, dois dos principais articuladores da paralisação, pode resultar numa nova greve. No entanto, são os dois exonerados que tentam acalmar a tropa. "Não vamos aceitar essa provocação do governo baiano", disse Andréa. "Excluídos nós já somos, toda a PM é excluída", reforçou Santana.A dupla garante que a retaliação não é o foco do problema."A questão é o salário", disse Andréa. Os policiais mantêm o prazo de 31 de dezembro para que o governo apresente uma proposta salarial satisfatória. Eles reivindicam um piso salarial de R$ 1,2 mil e ameaçam promover uma nova paralisação durante o carnaval, quando há maior número de turistas na Bahia e o policiamento é fundamental para manter a segurança dos visitantes.Sobre as exonerações, Andréa e Santana já instruíram os advogados para ingressarem na Justiça com mandado de segurança para serem reintegrados. Eles lembraram que policiais acusados de assassinato afastados da tropa, conseguiram a reintegração antes do julgamento dos seus casos e ainda receberam indenização. Conforme a dupla, a PM está pronta para uma paralisação imediata, mas isso só será feito se o governo não responder ao pedido de aumento até o dia 31 de dezembro.O coronel Silva Ramos, assessor de comunicação da PM, disse que o movimento é político, assegurando não ser admissível atos de rebeldia como os supostamente praticados pela soldado Andréa e o sargento Santana. Conforme Ramos, os dois participaram de manifestações políticas fardados e discursaram contra o governador César Borges (PFL) e a secretária de Segurança Kátia Alves, atos considerados insubordinações.

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