PM faz ronda programada em 89 cidades

Programa teve início há 9 anos em Bauru e, até agora, nenhuma residência foi invadida em feriados ou férias

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

04 Julho 2009 | 00h00

Em Bauru, a 350 km de São Paulo, o furto em residências aumentava substancialmente nos feriados e férias escolares. Dois fatores contribuíam para isso. A maioria dos 360 mil habitantes mora em casas e 28 mil universitários vivem na cidade, atraídos pelas quatro universidades e nove instituições de ensino superior, mas viajam periodicamente. Em 2000, a cidade adotou o projeto Ronda Programada para reforçar a segurança dada às residências. Trata-se de um serviço de vigilância específica e redobrada, com visitas diárias às casas dos moradores que se cadastraram no programa. "Não tivemos registro de furto ou arrombamento em nenhuma casa até agora", explica o tenente Nilson Cesar Pereira. A ideia deu tão certo que há cinco anos o projeto foi estendido para todo o Comando de Policiamento do Interior-4, responsável pela região centro-oeste, que abrange 89 municípios, incluindo Marília, Assis, Jaú e Ourinhos. Funciona durante todo o ano, mas a procura aumenta nas folgas prolongadas. Para ter o endereço incluído na ronda, o morador deve ligar para o 190 ou ir a uma base da Polícia Militar. Ele responde um breve questionário com nome, endereço, celular, período em que ficará ausente e o nome de pessoas autorizadas a entrar na residência. O policial também dá orientações de segurança (veja quadro). Quando o proprietário do imóvel retorna da viagem, deve telefonar e pedir a suspensão do serviço. Apesar das particularidades de cada região, existe a intenção de estender os bons resultados da Ronda Programada para todo o Estado, incluindo grandes centros, como São Paulo e Campinas. O Estado é dividido em 11 comandos de policiamento: um para a capital, um para a Região Metropolitana e nove para o interior e litoral. "Precisaríamos fazer um estudo para verificar a disponibilidade de viaturas e de policiais. Esse projeto poderia ser feito pelas bases comunitárias e pelos policiais que não estejam empenhados no atendimento de ocorrências", avalia o coronel Luiz de Castro Júnior, diretor de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da PM. Segundo ele, a polícia atende cerca de 150 mil chamadas por dia. Só a capital é responsável por um quinto das chamadas: 35 mil. Já o consultor em segurança José Vicente da Silva Filho discorda. "A polícia tem a obrigação de fazer o patrulhamento geral para diminuir índices de criminalidade como um todo e não apenas defender interesses específicos, privados, voltado para a ronda de residências", analisa. "Possivelmente, quem viaja são pessoas que moram em bairros de classe média e média alta, onde os índices de criminalidade são inferiores aos da periferia, em que os moradores pouco viajam", compara. ELOGIOS Nos feriados, o auxiliar financeiro Fábio Ranieri Campanelli, de 44 anos, costuma viajar com a família para a chácara do irmão, em Avaí, a 50 km de Bauru, onde mora. Antes de pegar a estrada, ele passa na base comunitária da PM do bairro e aciona a Ronda Programada. "Nunca fui furtado. Já a vizinha que mora em frente foi viajar e teve a casa invadida, há um mês. Coincidência ou não, ela não se cadastrou na ronda." Além da polícia, Campanelli conta com a ajuda dos vizinhos para vigiar o imóvel. Ele pede para abrirem as janelas durante o dia e acenderem as luzes à noite - para dar a impressão de que a casa não está vazia. "Meus vizinhos me disseram que a polícia passa com mais frequência quando estou fora. Pode ser que a Ronda Programada não resolva o problema de furtos, mas ajuda a inibir a ação do ladrão." O aposentado Silvio Mas Gonçalves, de 67 anos, da cidade de Marília, também elogia o serviço. "Ligo há cinco anos para o 190 para efetuar o cadastro. Os policiais perguntam se temos cachorro, assinatura de jornais e revistas, se algum carro ficará estacionado na garagem e até o dia e horário em que vamos chegar da viagem." No cadastro, ele coloca os nomes dos vizinhos que vão a sua casa para recolher a correspondência e abrir as janelas. Numa tarde, a filha dos vizinhos foi até a casa. Bem naquele momento uma viatura fazia a ronda na rua. Os policiais perguntaram seu nome, que não constava do cadastro. Para resolver o mal-entendido, seus pais tiveram de mostrar a identidade - para provar que eles estavam no cadastro. "Os vizinhos me dizem que as viaturas passam várias vezes. À noite, os policiais param o automóvel na frente da casa e acendem um farolete para verificar se tem alguém escondido em algum lugar."

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