AP Photo/Felipe Dana
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PM grava líderes do PCC em cadeia e elogia atitude: 'Medalha de ouro'

No vídeo, presos que foram transferidos da Penitenciária de Alcaçuz afirmam que "vão exterminar tudo"; o policial que gravou as declarações dos presos virou a câmera para si mesmo para elogiar a posição deles

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2017 | 14h05

NATAL - Um policial militar do Rio Grande do Norte gravou, de dentro da cela, uma mensagem com ameaças das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado à facção rival Sindicato do Crime. Após ouvir os presos, que foram retirados da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, na segunda-feira, 16, o PM elogia: "Aí são uns caras que merecem medalha de ouro, viu, com todo o respeito."

O vídeo obtido pelo Estado foi gravado em uma unidade estadual não revelada para onde foram levados os presos após a transferência. O governo do Estado aguarda apreciação do pedido pela Justiça para transferi-los a um presídio federal, já que eles teriam coordenado o ataque do sábado, 14, que deixou 26 mortos no presídio. 

Paulo da Silva Santos, João Francisco dos Santos, José Cândido Prado, Paulo Márcio Rodrigues de Araújo e Tiago Soares foram retirados do pavilhão 5 de Alcaçuz. Três dos cinco aparecem nas imagens: João, José – apontado como nome mais forte da facção atualmente no Estado – e Paulo.

A gravação de 47 segundos começa com um deles dizendo que "o Sindicato não vai existir mais no Estado, não". "Vamos exterminar tudo", complementa. De acordo com o governo, foram integrantes do PCC que invadiram o pavilhão 4 e começaram a série de assassinatos. 

Um outro detento critica as ações ordenadas pelo Sindicato do Crime nas ruas de Natal e do interior, que resultaram em incêndios em ônibus e carros oficiais, além de tiros contra delegacias e bases da polícia. "A população e a massa carcerária não têm nada a ver. Vai morrer todo mundo. Quem tá falando é o Primeiro Comando da Capital", diz. 

Ao fim da gravação, o policial vira a câmera para ele e elogia o grupo. Além desses cinco presos, o governo pediu a transferência para unidades federais de outros 13 envolvidos com o massacre e também aguarda análise da Justiça.  A reportagem não conseguiu contato com o comando da Polícia Militar na manhã deste sábado, 21. 

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