PM mata adolescentes e moradores da Rocinha protestam

Uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na Rocinha, favela da zona sul do Rio, resultou na morte de três adolescentes com idades de 13, 15 e 17 anos e provocou revolta entre os moradores. Em protesto, eles desceram com os corpos, interromperam o trânsito e apedrejaram veículos neste domingo.Os manifestantes acusaram os policiais de terem executado os jovens, mas a polícia alegou que ocorreu confronto com traficantes. Outro adolescente foi baleado na perna e está emestado grave. O soldado Wiliam Amado Gomes Ramos foi atingido no braço esquerdo, mas não corre risco.MorteirosDe acordo com policiais militares do 23º Batalhão (Leblon), as vítimas seriam traficantes e foram feridas durante troca de tiros, por volta das 4 horas. Com os supostos criminosos foram apreendidos radiotransmissores e morteiros, segundo a polícia.O presidente da Associação de Moradores da Rocinha, Sebastião José Filho, afirmou que os jovens não tinham envolvimento com o tráfico de drogas e foram executados ?com tiros à queima- roupa? pelos PMs. Segundo ele, um dos jovens participava de um baile carnavalesco na Via Ápia, na parte baixa do morro, e os outros estavam em lugares próximos ao evento, ?numa distância de 150 metros?.ProtestoRevoltados, moradores tentaram atirar pedras nos veículos que passavam pelo local. Os motoristas, assustados, davam marcha-à-ré. Ninguém foi ferido. Cerca de 200 PMs reforçaram o patrulhamento na entrada da favela. Com isso, o protesto se dissolveu.Os três jovens morreram na favela. Todos os feridos foram socorridos no Hospital Miguel Couto, na Gávea. Os mortos serão enterrados nesta segunda-feira, no Cemitério de São João Baptista.Contra invasãoO subsecretário de Segurança do Rio, Paulo Souto, revelou que a Polícia Militar decidiu agir na Rocinha para evitar uma ação dos traficantes nafavela. Segundo ele, o Serviço de Inteligência da secretaria tinha informações que os traficantes planejavam uma invasão na Rocinha assim que a escola de samba do bairro iniciasse o desfile na Marques de Sapucaí.?A polícia decidiu agir porque um confronto dessa ordem ficaria sem controle, e a proporção de vítimas poderia ser muito grande. O papel da Secretaria de Segurança, principalmente, da PM foi estabelecer sua presença", explicou.

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