PM mata homem após arrastão em condomínio

Bando manteve reféns moradores de prédio de luxo em Perdizes

José Maria Mayrink, O Estadao de S.Paulo

03 de março de 2009 | 00h00

Um arrastão a um condomínio de luxo na manhã de ontem em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, terminou com a prisão de dois assaltantes e com a morte de um outro rapaz em uma rua próxima ao prédio. Moradores do edifício chegaram a ser feitos reféns pela quadrilha que, segundo funcionários do prédio, seria formada por cerca de 20 a 30 pessoas, pelo menos. O prejuízo dos moradores ultrapassa os R$ 135 mil. Só de um dos apartamentos foram levados R$ 51 mil em joias, roupas, ouro e pedras preciosas.O assalto no Sumaré Tower, um prédio de 17 andares, com dois apartamentos por andar, começou às 6h30. Segundo relatos de funcionários do prédio, os primeiros bandidos chegaram num Corsa e abriram o portão da garagem com um controle remoto, como fazem os moradores. As câmeras de vídeo da garagem não estavam funcionando já havia alguns dias, segundo um morador, o que possibilitou aos ocupantes do Corsa abrir passagem aos comparsas.Dois assaltantes se dirigiram então à guarita, onde o porteiro, o zelador e depois o faxineiro foram dominados. Segundo eles, os assaltantes os ameaçaram com pistolas e uma arma que parecia metralhadora, para forçá-los a abrir o portão da entrada social. O portão não funcionou, parecia enguiçado, o que deixou todo mundo nervoso. Os assaltantes perguntavam quem tinha dinheiro no prédio e se referiam a alguns moradores pelos nomes.EUROS E CONFUSÃOAo chegar a um dos apartamentos, perguntaram ao casal onde estavam os euros trazidos de viagem. O casal havia chegado na véspera da Suécia. Os bandidos interessados particularmente num "japonês rico" que moraria num dos andares mais altos. Foi então que um motorista de táxi estacionou do outro lado da calçada e atravessou a rua, onde não havia nenhuma vaga disponível, para chamar um cliente. "É esse que queremos", disse um dos assaltantes, ao ouvir o taxista falar que tinha ido buscar um japonês para levá-lo ao Aeroporto de Guarulhos. Os assaltantes fizeram o motorista voltar ao táxi e entrar no prédio para obrigá-lo a acompanhá-los ao apartamento do cliente. Enganaram-se. Um outro morador japonês foi quem pedira o táxi. "Quando abri, pensando que era o motorista do táxi, encontrei três assaltantes armados. Perguntavam onde estava minha arma e o dinheiro. Viram que estavam equivocados, mas levaram meu relógio e R$ 400 que eu tinha para a corrida". Enquanto alguns assaltantes entravam em dez apartamentos, outros levaram para o salão de festas todos os moradores e funcionários de prédio que saíam ou entravam. O salão fica no andar térreo e tem ligação interna, por uma escada de incêndio, com a garagem do primeiro subsolo. Além de controlar os elevadores, os ladrões vigiavam também as escadas. Uma moradora que não foi vítima do assalto revelou que, de seu apartamento, onde estava com o marido e duas filhas, acompanhou tudo pelo circuito interno de TV. Com a condição de também não ser identificada, uma outra mulher revelou que foi seu marido quem avisou a polícia. "Como eu tinha levado nossa filha à escola e estava demorando muito, ele desconfiou, telefonou para a escola e em seguida ligou para o 190. Nessa hora, eu e minha filha estávamos entre os reféns do salão de festas."RUA AIMBERÊÀs 8h15, uma confusão em frente ao sobradinho nº 969 da Rua Aimberê, quase esquina com a Rua Piracuama, onde fica o Sumaré Tower, assustou moradores da vizinhança, que foram para as janelas de suas casas e prédios. "Vou te matar, vou te matar!", ameaçou uma voz de homem, no instante em que um carro da Polícia Militar chegava, no sentido contrário. Mal o carro parou, uns 20 metros abaixo, dois policiais saltaram e atiraram na direção do sobrado, onde, segundo testemunhas, os dois supostos assaltantes estavam escondidos atrás da mureta da garagem. Segundo a polícia, eles haviam tentado roubar um carro. Um deles, de pé, foi atingido, e o outro, jogado ao chão, foi imobilizado a pontapés por um PM. O major Walmir, do 23º Batalhão da PM, que assumiu depois o comando da operação, informou ao Estado que os policiais atiraram revidando a disparos dos assaltantes. Um deles, segundo oficial, teria se refugiado num prédio em frente ao sobrado, de onde teria atirado contra a polícia. Moradores e funcionários dos prédios negaram essa versão, garantindo que nenhum dos supostos assaltantes entrou nesses prédios. Só dois disparos foram ouvidos. O assaltante ferido foi levado para o Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas com dois tiros. Ele acabou morrendo. O suposto assaltante preso na Aimberê disse ao repórter, já no carro da polícia, que se chamava Mateus Pereira e morava na Rua Índia. Foi a mesma informação que forneceu à PM. Segundo o major Walmir, ele estava sem documentos nem armas, mas foi detido como suspeito porque estava com os assaltantes. "A pessoa que ligou (para a polícia, do Sumaré Tower) disse que estava havendo uma desinteligência mas, ao chegar aqui, a PM achou que se tratava de um roubo de carro", disse o major Walmir, referindo-se à cena da Rua Aimberê. Na mesma hora, outros dois supostos assaltantes foram presos na Rua Apinajés, perto da esquina da Rua Piracuama. Todos os moradores assaltados foram convidados a depor, ontem mesmo, levando a relação de tudo que foi roubado. A PM isolou a calçada do nº 969 da Rua Aimberê, onde o assaltante foi baleado, para que fosse feita a perícia. Uma mancha de sangue marcava o cimento, ao lado de um boné vermelho caído no chão.

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