PM mata mais em maio e ouvidor ainda vê efeito PCC

Ele quer que todo policial em trabalho de rua passe por exame psicológico

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2024 | 00h00

Um ano depois, os ataques do Primeiro Comando da Capital continuaram refletindo na segurança pública. A tensão causada pela possível repetição dos atentados que vitimaram 59 agentes do Estado, entre os quais 25 policiais militares, pode estar por trás do aumento do número de pessoas mortas pela Polícia Militar registrado naquele mês. "Pode ter causado reflexos até um ano depois, pois isso virou como se fosse uma guerra. Mas o policial não é um soldado que está lá para morrer ou matar", diz o ouvidor da Polícia, Antônio Funari Filho. Em maio passado, PMs mataram 42 pessoas em São Paulo, um aumento de 44% em relação ao total de abril, que havia sido 29. Em junho, o número de casos recuou para 30. "Eu havia notado um aumento do número de mortes no segundo trimestre e quando fomos verificar o que havia acontecido descobrimos que o problema havia sido maio", afirmou Funari. Em maio de 2006, durante os ataques do PCC, a Secretaria da Segurança Pública divulgou que a PM matou 108 pessoas, em 8 dias. Ontem, o Estado publicou o depoimento do soldado P., que contou como policiais da Rota encenaram ataques do PCC, roubos e tiroteios para justificar o assassinato de suspeitos em resposta aos atentados da facção. Funari disse confiar no comando da corregedoria da PM e na sua capacidade de investigar essas denúncias: "O coronel (José Paulo) Menegucci (atual comandante da corregedoria) trabalhou com o Fermino Fecchio (Filho, ouvidor que denunciou irregularidades na polícia). É um homem muito sério." AVALIAÇÃO Mas, diante da análise dos casos de ocorrências com mortes envolvendo policiais, o ouvidor resolveu na quinta-feira propor na comissão de letalidade da Secretaria da Segurança Pública que, pelos menos, todos os policiais que trabalhem nas ruas sejam submetidos a uma avaliação psicológica anual para prevenir problemas relacionados ao estresse da atividade policial. "Isso não pode ser visto como punição, mas como algo necessário para esses profissionais", afirmou Funari. O ouvidor espera contar com o apoio do comando para evitar que mais uma vez o tratamento psicológico seja compreendido pela tropa como uma espécie de castigo, como ocorreu com os programas que previam o afastamento do policial que se envolvia em casos com mortes. A medida foi tomada pela primeira vez pela PM em 1992, logo após o massacre da Casa de Detenção. Foi chamado então de Rota Light e tinha o claro objetivo de diminuir os casos de tiroteios com mortes com a participação de policiais. "A atividade policial não é para qualquer um. Tem de ser uma pessoa extremamente equilibrada. Essa avaliação anual seria uma forma de se antecipar a problemas."

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