PM monta megafiscalização da lei seca em São Paulo durante o carnaval

Haverá mais bafômetros em uso na capital do que nas estradas de Rio e SP; ao todo, serão 256 áreas de bloqueio

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

19 Fevereiro 2009 | 00h00

No caminho para o Anhembi, nos desfiles de rua, na frente dos clubes. Se depender da Polícia Militar, a lei seca será lembrada como um dos principais personagens do carnaval paulistano. Com um reforço de 102 bafômetros (agora são 153 no total), que começaram a ser testados na semana passada, a PM promete quadruplicar a quantidade de pontos e fazer a maior operação de fiscalização desde a entrada em vigor da determinação, em junho, superando o número de bloqueios nas estradas paulistas e fluminenses. Para se ter ideia, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) utilizará 41 bafômetros em todas as estradas do Rio - o dobro do ano passado. Em todas as estradas paulistas, um efetivo de 4 mil policiais rodoviários terá 82 bafômetros - 30% deles concentrados nas rodovias que dão acesso ao litoral. Os principais bloqueios com finalidade de flagrar motoristas embriagados serão montados nas vias que dão acesso ao Anhembi e nas avenidas que receberão desfiles nos bairros, como a Interlagos, a Alvinópolis e a Escola Politécnica, além da Praça Santo Eduardo. As blitze serão realizadas até durante o dia, especialmente nas tardes de sábado, domingo e terça-feira. No dia 25, o foco deixará de ser os eventos e passará para os principais acessos da capital, para flagrar os motoristas que estejam chegando de viagem. A polícia não divulga os endereços - trata-se de informação estratégica. No total, os policiais vão se revezar em 256 pontos de monitoramento, das 17 horas de amanhã até o meio-dia da Quarta-Feira de Cinzas. Até agora, as operações de rotina, realizadas sempre de quinta-feira a domingo, eram intercaladas entre 64 locais. Só os policiais do 34º Batalhão de Trânsito tinham treinamento para operar os bafômetros. Agora, praticamente todas as 116 companhias da PM contam com pelo menos um desses equipamentos. Segundo o comandante do policiamento na capital, tenente Pedro Luís de Souza Lopes, todos os agentes foram treinados, em janeiro, para usar os bafômetros já no primeiro carnaval da lei seca. "Todas as regiões da cidade serão alvo da operação. Anteriormente, com a quantidade de bafômetros disponíveis, não conseguíamos montar um esquema desse porte", afirmou o tenente. A PM também não descarta a possibilidade de suspender alguns bloqueios em caso de chuva - previsão que é certa para os próximos dias. Com a pista molhada, fica mais perigoso abordar o motorista. "Nossa prioridade é a segurança viária. Se parar o condutor implicar em risco para ele e para quem trafega pela avenida, vamos remanejar a fiscalização." Para o coronel Emílio Luiz Panhoza, responsável pelo 34º Batalhão da capital, a operação que será iniciada amanhã é um teste para toda a fiscalização da lei seca. "Essa é uma festa de liberdade total, regada com muita bebida. Por isso, temos de dar mais atenção", disse. Mas ele garante que a operação continuará reforçada depois do carnaval. A psiquiatra Camila Magalhães Silveira, coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, diz que a folia desse feriado pode ser marcante para o futuro da lei seca. Será um momento para testar a fiscalização e comprovar se as pessoas realmente incorporaram os novos hábitos que são impostos pela legislação. "As pessoas esperam o carnaval para ?liberar geral? e extravasam na bebida, no sexo e nas drogas. Tomara que neste ano seja diferente." MULTA O motorista que for flagrado dirigindo sob efeito de álcool será penalizado com multa de R$ 957,70, retenção do veículo e suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além de responder criminalmente, com pena de detenção de 6 meses a 3 anos. MAIORES OPERAÇÕES Nos acessos ao sambódromo do Anhembi, na zona norte Na Avenida Interlagos, zona sul Na Avenida Alvinópolis, na Penha, zona leste Na Avenida Guilherme Cotching, na Vila Maria, zona norte

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