PM ocupa 23 favelas no Rio; tensão diminui nesta sexta-feira

A população carioca tenta contornar o medo de mais ataques e retomou, pela manhã e começo da tarde, sua movimentação normal de fim de ano, com as praias de Copacabana cheias, intenso tráfego de carros e bastante pessoas nos calçadões, um dia após os ataques que mataram 18 pessoas e feriram outras 25. Mesmo alarmada, a população teme novos ataques do crime organizado. De acordo com a Polícia Militar do Rio, a partir desta madrugada foram deflagradas operações de contenção e ocupação, buscando armas e suspeitos em 23 comunidades cariocas. As ações transcorrem em favelas alternadas. A PM não revela o efetivo que participa das ações "por questão de segurança". Também não há informações de presos nas operações já realizadas.A Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro e as policias civil e militar afirmaram por meio de suas assessorias de imprensa que não houve novos ataques no Estado nesta sexta-feira, 29. Segundo secretaria, as ocorrências registradas nesta madrugada em Duque de Caxias não estão relacionadas, a princípio, à onda de ataques. Noite ´tranqüila´A última noite foi considerada tranqüila pela Polícia Militar, apesar de duas trocas de tiros com suspeitos e um ônibus queimado, sem vítimas. Policiais permanecem em estado de alerta nos batalhões e realizam operações pontuais em favelas, disse um porta-voz da PM.Nas ruas, a sensação de insegurança é agravada pela ausência de mais policiais. Na favela da Rocinha, apenas uma viatura estava parada na entrada do morro na manhã desta sexta-feira, mesma situação do Complexo da Maré, na Linha Vermelha, onde policiais trocaram tiros com suspeitos na madrugada.Nos ataques de quinta-feira, 28, ônibus foram incendiados e postos da polícia e delegacias foram alvo de disparos, espalhando pânico entre a população. No mais grave, o incêndio de um ônibus da Viação Itapemirim, sete pessoas morreram carbonizadas na Avenida Brasil, num episódio classificado pelo comandante da PM do Rio, Hudson de Aguiar, como "desumano". Após recolherem seus veículos por volta das 21 horas da noite da última quinta-feira, segundo a Agência Brasil, as empresas de transporte público voltaram a colocar, gradativamente, seus coletivos em circulação nesta manhã, mas ainda havia muitos pontos de ônibus lotados nas zonas norte e oeste da cidade e na região metropolitana. O transporte alternativo dos perueiros também não funcionou na madrugada e voltou pela manhã. O comércio fechou mais cedo na quinta-feira e a Petrobras liberou seus funcionários antes do final do expediente. PromessaEm vista do medo de novos incidentes, o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, prometeu, ainda nesta tarde, que os ataques não voltarão a ocorrer. "Não vai acontecer mais nada, estou convencido disso."Apesar de negar que haja divergências com o secretário de Segurança, Roberto Precioso, ele, classificou de "inocência olímpica" alguém acreditar na possibilidade de os ataques terem sido motivados pela mudança de governo, tese defendida na última quinta-feira por Precioso. Segundo Santos, informações do serviço de inteligência da polícia mostram que não há ordens para novos ataques. "Quero tranqüilizar a população. Não acontecerá uma ação ordenada. Pode haver coisas pontuais, oportunistas, mas com certeza teremos um réveillon tranqüilo", disse o secretário. "O que houve foi uma demonstração de força. Força que deve ser insuficiente para retomar favelas controladas por milícias, mas que é suficiente para inquietar a população."Sobre os ataquesOs ataques da madrugada de quinta-feira, liderados por diferentes facções criminosas, segundo autoridades, deixaram 18 mortos e mais de 25 feridos. Entre os mortos há nove civis, sete suspeitos de envolvimento nos ataques e dois policiais militares.Autoridades divergiram sobre o motivo dos ataques, tendo como pontos principais uma tentativa de intimidar o governador eleito Sérgio Cabral (PMDB) contra o endurecimento do sistema prisional e uma represália às milícias, grupos formados por policiais que estariam tomando dos traficantes o controle das favelas e extorquindo dinheiro de moradores em troca de segurança.A questão das milícias foi levantada pelo secretário de Administração Penitenciária, enquanto o secretário de Segurança Pública, Roberto Precioso, considerou uma suposta insatisfação dos presos com um possível endurecimento após a transição de governo como causa.Reforço imediatoA Polícia Militar reforçou o patrulhamento nas ruas, mas o policiamento nos pontos fixos foi abandonado, depois que cabines e delegacias foram metralhadas durante a madrugada desta sexta-feira, por volta da 1h30 da manhã, segundo o programa RJTV. Após uma madrugada de violência na cidade, as polícias militar e civil do Estado anunciaram o plano de segurança para o réveillon com participação de 20.734 policiais no Estado. O número de 14.234 PMs representa um aumento de 20% em relação a 2005. De acordo com o site NoMínimo, o prefeito César Maia (PFL) "pediu patrulhamento de tropas do Exército para as vias expressas até o réveillon". Contudo, esta decisão cabe à governadora Rosinha Matheus(PMDB), que rejeitou nesta tarde qualquer ajuda de forças federais na cidade.Para conter os criminosos, a PM contará com o auxílio de 92 carros da Polícia Civil, que ficarão responsáveis pelas redondezas de morros controlados pelo tráfico de drogas, desde esta quinta até o dia 2 de janeiro. "Vamos reforçar o policiamento das carceragens e impedir que saia qualquer tipo de ordem de dentro dos presídios", garantiu o chefe da Polícia Civil, delegado Ricardo Hallak.Conteúdo atualizado às 17h17

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