PM ocupa favelas após cinco mortes em confrontos no Rio

Dois confrontos entre grupos criminosos fortemente armados neste fim de semana deixaram cinco mortos e dez feridos e levaram a Polícia Militar a ocupar as favelas Vila Juaniza, na Ilha do Governador, e Cidade Alta, em Cordovil, bairros da zona norte do Rio. Na Juaniza, quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas em conseqüência de um tiroteio na noite de sábado, que, segundo a Polícia Militar, envolveu duas facções criminosas rivais - o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando. Já na Cidade Alta pelo menos nove pessoas foram baleadas neste domingo - uma delas, um policial, não resistiu aos ferimentos e morreu. Moradores denunciaram a ação na favela de uma milícia(grupo paramilitar que expulsa o tráfico e cobra por proteção). Também suspeita-se da ação de paramilitares na Ilha. De acordo com a polícia, a Vila Juaniza foi invadida por um bando armado, chefiado por Marcelo Soares de Medeiros, o Marcelo PQD. Traficante ligado ao Terceiro Comando, PQD, recentemente, com permissão da Justiça, saiu da prisão para visitar a família e não se reapresentou. Desde então, é procurado pela polícia. No conflito, morreram o morador José Afrânio Deplan, o suposto traficante Enypson Gomes, o PCC, e dois PMs: o sargento José Carlos Gonçalves e o soldado Carlos Henrique Ferreira. Outro policial, Flávio Augusto da Silveira, também baleado, foi levado para o Hospital da Polícia Militar. Há a suspeita de que os PMs integrassem uma milícia. Ciel Brandão, outro morador, também ficou ferido. Marcelo PQD está foragido. Na Cidade Alta, houve tiroteio na madrugada de sexta-feira para sábado e na manhã deste domingo. O policial militar Alex Sarmento Mendes, que, segundo informações oficiais, trabalhava cedido à Polícia Civil, foi ferido e chegou a ser levado ao Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Penha, mas morreu à tarde. Outro PM que seria cedido à Polícia Civil, Antônio Souza dos Santos, também foi atingido. Mais sete pessoas ficaram feridas nos confrontos, que também envolveram bandidos do CV. Milícias O comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel José Luiz Nepomuceno, afirmou não saber por que os bandidos atacaram a Cidade Alta de manhã. "Ainda queremos saber o que foi", declarou ao Estado. Mas, segundo a Polícia Civil, será apurada denúncia de moradores de que a invasão dos bandidos à Cidade Alta, ocorrida na manhã deste domingo, foi precedida por uma ocupação da favela, na madrugada de sábado, por uma milícia. Trata-se de um geralmente, formado por policiais militares, policiais civis, bombeiros, agentes penitenciários e seguranças, da ativa e aposentados. O ataque aconteceu quando boa parte dos moradores acompanhava um show do cantor Elymar Santos, na quadra do Bloco da Barriga. Moradores relataram que cerca de 100 homens encapuzados comporiam a quadrilha de milicianos, que teria tido o apoio de um caveirão (veículo blindado da PM), para abrir caminho para o ataque. O uso do carro indicaria a participação de policiais no bando, que teria se reunido junto a uma cabine da PM. A ação dos traficantes na manhã de ontem teria sido uma tentativa de retomar o controle do local. Também será apurado se há relação entre o confronto na Cidade Alta e o roubo de carros em uma falsa blitz, que terminou em um tiroteio com policiais do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE) da PM, no Trevo das Margaridas, entre a Via Dutra e a Avenida Brasil. Segundo um policial civil, pode haver ligação entre o roubo dos carros e o conflito na manhã de ontem na Cidade Alta, por causa da proximidade dos eventos e porque carros semelhantes foram vistos circulando na favela. Os bandidos roubaram um Polo e depois um Astra em pontos diferentes da Via Dutra, perto de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e da Linha Vermelha, já no Rio. Fábio de Lima estava no Polo e levou três tiros, sendo levado para o HGV. Uma bala perdida nesse conflito atingiu a perna de Edvânia Santos da Silva, dentro de um ônibus que passava pelo local. ´Acusação de traficante´ O porta-voz da Polícia Militar, coronel Rogério Seabra, não vê relação entre os dois eventos. "Uma coisa é o assalto na Dutra, outra coisa é o conflito entre facções criminosas na Cidade Alta", afirmou. Ele disse também que "é acusação de traficante" a denúncia de que um veículo blindado da polícia abriu caminho para um ataque de milicianos na Cidade Alta. "O blindado fazer roteiro de patrulhamento é rotina. Foi feito ontem (sábado), está sendo feito hoje (domingo), e a Polícia Militar vai continuar fazendo", afirmou. Seabra disse que milícia também é facção criminosa.

Agencia Estado,

04 Fevereiro 2007 | 18h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.