PM prende advogado acusado de envolvimento com narcotráfico

O advogado Artur Eugênio Mathias foi preso nesta quinta-feira, às 17 horas, pela Polícia Militar, em seu escritório no centro de Campinas. Mathias é acusado de envolvimento com narcotraficantes e receptadores de cargas roubadas da região. Ele está detido no 35º Batalhão de Polícia de Campinas, onde permanecerá para cumprir a prisão preventiva decretada na 3ª Vara Criminal da cidade. O advogado já esteve preso no mesmo local por pouco mais de um mês no ano passado a pedido dos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. A Polícia Militar informou que cumpriu o mandado de prisão temporária expedido pela 3ª Vara Criminal. De acordo com a PM, Mathias mostrou-se surpreso ao ser notificado da prisão, mas não ofereceu resistência. Ele foi encaminhado à Delegacia Seccional de Campinas e passou por exame de corpo delito antes de ser levado para o 35º Batalhão, onde ocupa, sozinho, um alojamento com dormitório e banheiro. O advogado tem direito a prisão especial, por isso ocupa o alojamento do quartel da PM. Ele é o único preso do 35º Batalhão. O último detido a ocupar o local foi um médico acusado de não pagar pensão alimentícia. Logo que chegou, Mathias pediu para falar com seus advogados e com a família. Ele abriu mão da alimentação oferecida pela polícia e pediu que a família providencie sua comida. Segundo a PM, o advogado pode ficar preso indefinidamente, até que a prisão preventiva seja revogada. A Polícia não permitiu que a reportagem falasse com Mathias. No relatório da CPI do Narcotráfico, Mathias é apontando como uma peça importante na engrenagem da quadrilha liderada pelo empresário Willian Walder Sozza. O relatório lista 56 nomes de empresários, policiais e advogados da região acusados de envolvimento com o crime organizado.Sozza, conforme o documento mantinha empresas para "esquentar" cargas roubadas. Mathias, aponta o relatório, gerenciava o esquema de propinas. Em seu escritório, em Campinas, foram encontrados arquivos com nomes de policias e os valores das propinas. O advogado é citado no documento como o responsável pelo "esquema jurídico" da organização.

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