PM prende e agride vereador em Sorocaba

O vereador Arnô Pereira (PT), preso durante um protesto contra o despejo de uma área pública invadida por sem teto, nesta quinta-feira, em Sorocaba, denunciou nesta sexta-feira ter sido agredido pelos policiais militares quando já estava no camburão da polícia. A denúncia foi feita depois que o vereador passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), de manhã. Ele apresentava hematomas no corpo e um olho roxo. Um morador e dois advogados também denunciaram a violência da Polícia Militar durante o despejo. Os policiais cumpriam uma liminar dada em 1999 pelo juiz da 6ª Vara Cível de Sorocaba, Eduardo Velho Neto, em ação de reintegração de posse movida pela prefeitura contra ocupantes de uma área municipal no entorno do aeroporto, na Vila Angélica.Funcionários iniciavam a demolição da casa de José Estevão Pereira quando chegou o vereador. Pereira liderou um grupo de 50 moradores dispostos a interditar, como protesto, a Avenida Ipanema, principal acesso do bairro. A PM avançou com motos sobre os moradores que estavam sentados no asfalto. O vereador do PT, acusado de ter incitado o protesto, recebeu voz de prisão e foi algemado. Os policiais usaram gás pimenta, que produz ardor nos olhos, para conter o vereador. "Fui arrastado e chutado por uns dez policiais e, dentro da viatura, agredido com socos na cabeça", contou. Ele apontou o tenente Marcos Ramos como o principal agressor. O assessor parlamentar da deputada federal Iara Bernardi (PT), Aparecido de Lima, também foi preso. O morador Antonio Marcos Franco Dias, que se insurgiu contra as prisões, foi agredido. Ele disse ter recebido chutes no rosto.Os advogados João Canaveze Filho e Edson da Silva Filho, que acompanhavam o despejo como representantes da subsecção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também acusaram os policiais de tê-los ameaçado e agredido verbalmente . A Delegacia Seccional vai abrir inquérito para apurar as agressões. A ação dos policiais também será objeto de sindicância aberta pelo comando do 7º Batalhão da Policiais Militar em Sorocaba. A prefeitura informou que, desde janeiro de 1997, não estão sendo toleradas invasões de áreas públicas em Sorocaba. Na mesma região, cerca de 80 famílias deverão ser despejadas. Nesta sexta-feira, moradores da regiãorealizaram um novo protesto contra os despejos.

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