PM prende mulher de Bruno e aguarda mandado para detê-lo

Ministério Público acatou pedido para a prisão do goleiro do Flamengo e do amigo conhecido como 'Macarrão'

estadão.com.br

07 de julho de 2010 | 07h50

Nesta terça, adolescente confessou ter participado do crime e disse que Eliza está morta

A Polícia de Minas Gerais prendeu a mulher do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, nesta quarta-feira, 7. Segundo a Rede Globo, que ouviu o advogado de Dayane, a prisão foi feita nesta manhã em Belo Horizonte. Na noite de terça-feira, o Ministério Público acatou o pedido da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro para a prisão do goleiro e do amigo Luis Henrique Ferreira Romão, conhecido como 'Macarrão'. Eles são suspeitos de participar do assassinato de Eliza Samudio, ex-amante de Bruno. A jovem, que teria um filho do goleiro, está desaparecida desde 4 de junho.

 

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O pedido de prisão temporária de Bruno e 'Macarrão' (cinco dias, mais cinco prorrogáveis) foi feito logo após o depoimento de J., primo de 17 anos do jogador que confessou ter participado do desaparecimento de Eliza. A promotoria também pediu a apreensão do adolescente.

 

De acordo com o depoimento de J. na delegacia, Macarrão teria convencido Eliza a ir com o filho, de 4 meses, do Hotel Transamérica, na Barra da Tijuca (zona oeste) para o sítio do goleiro, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o adolescente, que não citou o nome do atleta em nenhum momento, ele viajava escondido na Range Rover de Bruno, armado com uma pistola, quando Eliza o viu e houve uma discussão.

 

Neste momento, J. teria dado uma coronhada em Eliza, que, sangrando, ficou desacordada até chegar em Belo Horizonte, onde teria chegado com vida. De acordo com a versão do adolescente, Eliza morreu em decorrência do ferimento e o corpo foi entregue por Macarrão a um traficante de Contagem, conhecido como Cleisson, para ser "desovado".

 

A polícia foi à casa de Bruno após uma entrevista de um tio de J. à rádio Tupi, no Rio. Segundo este tio, que é motorista de ônibus, o adolescente estava sendo mantido em cárcere privado na residência do jogador. A versão contada por este parente é diferente do que foi dito pelo jovem. Segundo o tio, foi o goleiro Bruno que teria mandado entregar o corpo de Eliza a traficantes e por este trabalho, teria pago R$ 3 mil. Ainda de acordo com a entrevista, "os advogados do goleiro estariam instruindo os envolvidos no sumiço de Eliza a dizer que ela teve uma discussão dentro do carro com o adolescente, e que acabou levando um soco no rosto, por isso as marcas de sangue no veículo."

 

A amiga de Eliza, que denunciou o desaparecimento da jovem, garante que ambas versões não condizem com as conversas que teve com a amiga, uma delas, quando a ex-namorada de Bruno já estava em Belo Horizonte, no dia 9 de junho, um dia depois da Range Rover ser apreendida numa blitz, na capital mineira. "Nunca ouvi falar neste primo. A Eliza disse que foi convidada pelo Bruno a ir para Minas", afirma a amiga, que pediu para não ser identificada, pois teme represálias. Pouco depois do início do depoimento de J., um dos advogados do goleiro esteve na delegacia.

 

Segundo Monclar Gama, quando a polícia chegou à casa do jogador, Bruno estava em casa e permitiu a entrada das equipes. Ele negou que Bruno estivesse mantendo o adolescente em cárcere privado. "Não houve cárcere privado. O Bruno recebeu um telefonema e franqueou o acesso da polícia à sua residência. Nós fomos acionados pelo goleiro, que queria saber o motivo pelo qual a polícia trouxe o rapaz para cá, mas não tivemos acesso ao depoimento, pois o jovem está acompanhado de um parente", afirmou Gama, que integra o escritório do advogado Michel Assef.

 

Por determinação da presidente do clube, Patrícia Amorim, Bruno está afastado do time titular até o fim das investigações. Enquanto o inquérito não é concluído, o goleiro treina para manter a forma.

Depois de mais de sete horas de depoimento, por volta das 22h15, o adolescente J. foi encaminhado para a DPCA (Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente), que o apresentaria ainda no fim da noite desta terça à Vara da Infância, da Juventude e do Idoso. Cabe ao juiz de plantão o encaminhamento do garoto a um abrigo, onde aguardará julgamento. Segundo a polícia, J. deverá ser indiciado por sequestro.

 

Expectativa

 

Luís Carlos Samudio, pai de Eliza, está evitando falar sobre o teor do depoimento do adolescente. Ele chegou hoje, no início da tarde, a Foz do Iguaçu, depois de ter passado mal ontem enquanto acompanhava em Belo Horizonte (MG) as investigações sobre o desaparecimento da filha, coordenadas pela Polícia Civil mineira.

 

"A cada corpo que dizem ter encontrado, ele (Samudio) fica bastante ansioso, agitado, nervoso", disse o advogado Sérgio Barros da Silva. "Como não estava passando muito bem, resolvemos voltar para Foz do Iguaçu a fim de que ele fizesse alguns exames médicos", explicou. Na segunda-feira, o pai de Eliza foi informado sobre um corpo de mulher encontrado em avançado estado de decomposição. "Só ficou aliviado depois de comprovar que não era a filha."

 

Na casa do pai de Eliza, os familiares confirmaram que estão acompanhando as informações pela internet, mas também preferiram não comentar as notícias sobre o suposto assassinato. Apenas o advogado da família está falando sobre o caso. No final da tarde, Silva disse que ele e Samudio devem embarcar de volta a Minas Gerais logo nas primeiras horas desta quarta-feira. "As investigações estão caminhando para a fase final e logo tudo isso estará resolvido."

 

(Com Pedro Dantas e Gabriela Moreira, do Rio, e Fabiula Wurmeister, de Foz de Iguaçu)

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