PM que matou tenista deve ir à Justiça comum

O tenente da PM gaúcha Paulo Sérgio de Souza, que matou o tenista Thomás Engel com um tiro de escopeta, deverá ser julgado na Justiça comum por homicídio doloso, podendo pegar de 6 a 30 anos de prisão. Hoje a promotora de Justiça das Auditorias Militares, Sandra Goldman Ruwel, declinou da atribuição para indiciar o acusado, afirmando que as provas apresentadas no Inquérito Policial Militar (IPM) contra o oficial apontam o dolo eventual, ou seja, que ele assumiu o risco do homicídio ao apontar uma arma carregada contra o adolescente durante a revista policial, na madrugada de 2 de setembro. Se o parecer for aceito pela Justiça Militar, o caso será remetido ao Ministério Público de São Leopoldo e julgado na Justiça comum. Souza somente seria julgado pelo tribunal militar se a promotoria concluísse que houve homicídio culposo, ou seja, sem intenção da morte. O tenente chegou a alegar que o tiro que atingiu Thomás foi acidental, mas a perícia descartou essa hipótese. Segundo o exame realizado, a escopeta calibre 12 estava em perfeitas condições de uso e não tinha como detonar sozinha. Pelos regulamentos da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, esse tipo de arma não poderia estar sendo utilizado pelo oficial na revista, muito menos carregada. Devido a essa irregularidade, ele também poderá ser expulso da corporação, após a conclusão do julgamento. A promotora Debora Bolzan, de São Leopoldo, definirá até a próxima semana se indiciará Souza por homicídio doloso simples ou qualificado. Na primeira hipótese, a pena varia de 6 a 20 anos de reclusão, e no segundo caso, de 12 a 30 anos. De acordo com o delegado Marco Antônio Machado, que investigou o crime, o fato de a vítima estar de costas, sem poder se defender, constitui um qualificador do homicídio. "O tenente reduziu o poder de reação da vítima", afirmou Machado. De acordo com procuradores que estão acompanhando o caso, "existe uma grande chance de o homicídio ser classificado como qualificado".

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