PM reconhece que confundiu carro de mãe de menino morto

William de Paula está sendo julgado pela morte de João Roberto, no dia 7 de julho deste no, no Rio

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2008 | 19h23

O policial militar William de Paula, acusado pela morte do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, em julho passado, reconheceu nesta quarta-feira, 10, em juízo que confundiu o carro da mãe da criança, Alessandra Amorim, com o veículo em que estavam três criminosos que perseguia. Alessandra e os dois filhos, João Roberto e Vinicius, que tinha 9 meses, estavam em um Pálio prata e os homens em um Stillo preto. João Roberto foi atingido por um tiro na cabeça e morreu.   Veja também: Todas as notícias sobre o caso    De Paula está sendo julgado no 2.º Tribunal do Júri da Capital, presidido pelo juiz Paulo Baldez. Apesar de reconhecer ter confundido os veículos, o PM disse acreditar que o tiro que matou João Roberto tenha partido dos criminosos. Ele contou que na noite em que abordou o carro de Alessandra na Rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca, zona norte da cidade, havia pouca iluminação.   Ao se aproximar do veículo, fez três disparos - um de um de advertência, outro que atingiu um carro parado na rua, e um terceiro, que furou o pneu do carro da vítima. "Infelizmente, eu passei a acreditar que era o carro dos meliantes. No meu inconsciente, era o Fiat Stillo de cor escura", disse ao juiz.   De Paula disse que não percebeu que a bolsa que Alessandra havia jogado para fora do carro, a fim de alertar os policiais de que havia crianças no veículo, era uma sacola de bebê. Ele lamentou o ocorrido e disse que ficou traumatizado. Ao juiz, disse que a cena foi tão chocante que não teve condições de retirar João Roberto do carro.   O policial, que está há 11 anos na corporação, contou que não passa por curso de reciclagem há três anos. Ele também nunca cursou técnicas de abordagem. Disse apenas que recebeu instruções sobre como abordar carro e perseguir automóvel em fuga. "Infelizmente, naquele momento ali era o meio que eu pude usar", comentou.   O promotor de Justiça é Paulo Rangel e os advogados Nilo Batista e João Tancredo são assistentes de acusação. A defesa do réu está sendo feita por José Maurício Neville. O julgamento está previsto para acabar às 22 horas. O outro policial acusado, Elias Gonçalves da Costa Neto, entrou com recurso contra a sentença de pronúncia e teve o processo desmembrado. Seu julgamento ainda não foi marcado.   Indenização   Em setembro, a família do menino ganhou na Justiça o direito de receber indenização para tratamento médico, bem como pensão por seis meses do Estado. Paulo Roberto Soares, pai de João Roberto, deve receber R$ 4.150 por mês e familiares receberão R$ 1.245. Após a decisão, o Estado do Rio chegou a recorrer, mas o governador Sérgio Cabral determinou que os procuradores não apresentassem mais nenhum recurso.   A juíza da 4ª Vara de Fazenda Pública, Cristiana Aparecida de Souza Santos, quer que o Estado pague dez salários mínimos - cerca de R$ 4.150 - ao taxista Paulo Roberto Soares, pai de João Roberto, e custeie tratamento psiquiátrico no valor de três salários mínimos - R$ 1.245 - aos pais, avós e irmão mais novo de João, Vinícius, de 1 ano.  

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