PM reforça segurança no centro

Objetivo é garantir compras tranqüilas neste fim de ano; efetivo ganhou 220 homens - 120 só na 25 de Março

Ana Carolina Moreno, O Estadao de S.Paulo

30 Novembro 2007 | 00h00

Escolada quando o assunto é comércio popular, a professora da rede municipal Maria Aparecida Caroprese, de 60 anos, aproveitou a tarde de ontem para fazer compras na Rua 25 de Março. "Amanhã (hoje) é dia de pagamento e vai lotar aqui", ensina. E acertadamente. Com o 13º salário no bolso da população, a Polícia Militar implanta hoje o reforço no policiamento da República, do Bom Retiro e do Brás, no centro da cidade.Serão mais 220 policiais, 120 só na região da 25 de Março e ruas adjacentes, que devem ter picos de 1 milhão de visitantes nos sábados até o Natal. O objetivo principal é combater furtos, roubos e a venda de CDs e DVDs piratas, segundo o comandante da PM na área central da cidade, coronel Álvaro Camilo. Só ontem mais de 3 mil DVDs foram apreendidos e 13 pessoas encaminhadas para averiguação.O reforço agradou a consumidores, lojistas e até camelôs - com licença ou não. A vendedora de uma loja de artigos em madeira Zilmar Rodrigues Miranda, de 48 anos, porém, não se sente mais segura em relação aos trombadinhas. Após quatro anos trabalhando na esquina da Rua 25 de Março com a Ladeira Porto Geral, ela ainda se recuperava de um assalto no dia anterior."Saí para comprar fio dental. Quando voltava, parei na banca para comprar balinhas e um homem me disse ?calada, senão te mato?", conta. Segundo ela, o ladrão agarrou sua bolsa e desapareceu em questão de segundos. "Só vi um vulto", disse. O prejuízo só não foi maior porque, por precaução, ela só sai da loja no horário do almoço com alguns trocados. "Sempre deixo minha carteira e o celular dentro da loja."Camelôs e seguranças particulares das lojas, os maiores observadores do intenso movimento na região, repetem a fórmula simples: quanto mais pedestres, maior o número de pessoas distraídas e a dificuldade de monitoramento policial. "Dentro da loja nunca vi furto, mas já vi muita gente sendo roubada na rua. E o pior é que não dá nem para ajudar", contou o segurança Rodrigo Corrêa de Carvalho.Segundo ele, boa parte das lojas na 25 de Março contrata um serviço integrado de segurança. São cerca de 45 guardas, que usam rádios para comunicar a situação de cada pedaço da rua e pedir ajuda em caso de tentativas de roubo. "Mas com reforço da polícia pode ficar mais sossegado."Logo atrás da Rua 25 de Março, no ranking das ruas mais concorridas de dezembro estão as dos bairros do Brás e Bom Retiro. Em ambos, os dias de pico somam quase 500 mil consumidores ávidos pelos preços populares dos presentes de Natal.Os cerca de 20 policiais militares que fazem a ronda no Brás passam a receber hoje o apoio de outros 60 PMs para vigiar as 55 ruas e mais de 6 mil lojas. E, para enfrentar o "número alucinante" de vendedores ambulantes atraídos pela multidão de pedestres, o subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, prepara, com a Polícia Civil, operação em todos os shoppings populares do Brás.No Bom Retiro, onde o carro-chefe para os compradores é a Rua José Paulino, a Subprefeitura da Sé começou a intensificar a fiscalização contra os camelôs irregulares no fim de outubro. Os comerciantes também retiraram as floreiras de concreto que costumam decorar a calçada. Tudo para conquistar o maior espaço livre possível para permitir a circulação dos clientes.

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