PM sobe favela do Alemão e mata 3

Já são 63 mortos no local desde o início das operações, em maio

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

27 Setembro 2007 | 00h00

Uma operação policial no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, deixou ontem saldo de três mortos e dois feridos. Parentes das vítimas denunciaram que inocentes foram baleados. Com as ocorrências, sobe para 63 o número de mortos desde que a PM iniciou as operações no Alemão, em 3 de maio. Eram 6 horas quando 45 policiais do 16º Batalhão (BPM) iniciaram a operação no Morro da Chatuba. De acordo com o comandante do 16º BPM, coronel Marcus Jardim, os policiais foram recebidos a tiros por criminosos. O objetivo da ação era capturar os traficantes Paulo Rogério de Souza Paz, o Mica, e Alan Ferreira Montenegro, o Da Lua, que balearam dois policiais na semana passada. Parentes de Elias da Cruz, de 19 anos, o primeiro morto no confronto, mostraram a carteira de trabalho do rapaz, afirmando que ele era entregador de uma loja de aquários e não tinha ligação com o tráfico. A polícia afirmou que ele era sobrinho de Mica e foi morto ao trocar tiros com policiais. O segundo morto na operação, Roberto Cilirio Ferreira dos Santos, já tinha passagens na polícia por tráfico e corrupção de menores. Os parentes de José Henrique Gonçalves Marinho, de 43, o último a ser morto, protestaram. ''''Ele era autônomo e limpava piscinas. Morreu em casa com um tiro na cabeça'''', disse uma prima. ''''Não tenho dúvida de que são todos marginais'''', rebateu o coronel Jardim. A enfermeira Fabíola Gonçalves Vieira, de 24, foi atingida no pé por uma bala perdida. Autoridades confirmaram que uma nova megaoperação no Alemão está próxima. ''''Como nas favelas recuperadas pelo Estado na Colômbia, o efeito será avassalador e não acontecerá sem que corra sangue'''', disse um oficial da PM.

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