PM temia suicídio se policiais invadissem o apartamento

Comando da polícia disse que invasão é a última alternativa e interesse é preservar a vida

CAMILLA HADDAD, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Para o coronel Wagner César, comandante de Policiamento da Área 7 (Guarulhos), a invasão ao apartamento do desempregado José Luiz Milani não era recomendável. Ele explicou que Milani poderia se matar ou atirar contra um policial. Além disso, o comandante afirmou que invadir é a última alternativa utilizada pela polícia.A Assessoria de Imprensa da corporação também foi procurada e informou que, mesmo se tratando de um criminoso, o interesse do Estado é preservar a vida e considerou que a ocorrência teve "desfecho positivo". Em todo o tempo em que Milani se manteve dentro do apartamento, pelo menos 60 PMs estavam presentes - a maioria policiais da tropa de elite da corporação, como os do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). Alguns deles estavam no alto de casas das redondezas, posicionados para atirar.Nas negociações estavam o coronel do Gate Flávio Jari De Pieri e o capitão Adriano Giovannini, os mesmos que participaram da ocorrência envolvendo a jovem Eloá Pimentel, morta em outubro do ano passado pelo ex-namorado.HUMILHADOJosé Luiz Milani estava desempregado havia quatro anos. Amigos e parentes disseram que ele sempre viveu bem com a mulher. Porém, depois de não conseguir encontrar um trabalho, passou a contar com a ajuda financeira da irmã - o que fazia com que ele se sentisse humilhado. Virgínia, mulher do acusado, estava trabalhando como doméstica e, depois de ter juntado certa quantia em dinheiro, pretendia se mudar do apartamento de três cômodos para um imóvel maior. "Como ele não poderia contribuir, estava se irritando", contou uma amiga da vítima que não quis se identificar. A amiga disse ainda que Virginia havia falado em separação.As brigas do casal, segundo vizinhos, passaram a ser constantes. Além dos problemas financeiros, Virgínia também contrariava o marido indo diariamente aos cultos da Igreja Assembleia de Deus, o que provocava ciúmes no desempregado. "Um dia, ele (Milani) foi buscar uma das filhas que brincava com a minha e me assustei. Ele levou a filha pelos cabelos, bem agressivo", contou uma vizinha. Já Virgínia era calma. FRIEZAOs policiais que trabalharam na ocorrência disseram que Milani foi "frio", mantinha os olhos no "horizonte" e não esboçou remorso pelo crime. Em certos momentos, ele olhava fixo para a mulher estendida no banheiro, olhava para cima, parecendo transtornado. Por várias vezes, exigiu a presença da mãe e das filhas, o que foi negado pelos negociadores. Milani pediu cigarros e foi atendido. Também solicitou refrigerantes, foi atendido, mas não cumpria o trato de se entregar. A chegada da Polícia Federal, uma de suas exigências, nada adiantou. "Ele dizia que estava tudo terminado e fazia contagem regressiva em voz alta", disse o comandante.

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