PM vai instalar cabine no vão livre do Masp; vigias confirmam ''''rodízio do sono''''

A direção do Masp informou ontem, em nota, que será instalada uma cabine provisória da Polícia Militar no vão livre do museu e haverá uma viatura ali entre 7 e 23 horas, diariamente. A medida é anunciada uma semana após o furto de duas obras importantes, o Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso, e O Lavrador de Café, de Portinari.A administração do museu disse também que, "ainda no primeiro semestre", a PM se comprometeu a criar uma base fixa de segurança comunitária na calçada do Parque Trianon, de frente para o Masp, que funcionará em esquema 24 horas.Outra medida é a instalação, pela Prefeitura, de câmeras de longo alcance e alta resolução no canteiro central da Avenida Paulista. Por sua vez, o Masp instalará novos alarmes e sensores no edifício - o museu não quis informar de que tipo e em que quantidade, alegando "questões de segurança".VIGIASNenhum dos vigias do Masp estava onde deveria ficar no momento em que os bandidos entraram no museu para furtar os quadros. Não havia ninguém, por exemplo, entre o primeiro e o segundo andar nem na sala de monitoramento das câmeras de vigilância. Os vigias negaram, ao depor no distrito, que estivessem dormindo no momento da invasão, mas confirmaram a existência de um "rodízio do sono": a cada hora, só um dos integrantes da equipe da madrugada ficava acordado - os demais dormiam.Os policiais envolvidos na investigação ouviram até ontem 53 depoimentos no inquérito do furto das telas e averiguaram mais de uma dezena de denúncias anônimas sobre onde estariam os quadros. A idéia de criar o "rodízio do sono" foi de um dos vigias do turno da madrugada. Na hora do furto, havia três no Masp - dois do plantão e o chefe da segurança do museu, que havia chegado às 5 horas. Nenhum disse ter percebido nada de estranho ou ouvido a ação dos criminosos. Os vigias contaram que não tinham treinamento como seguranças - haviam recebido formação apenas para orientar o público.Os investigadores da 1ª Delegacia Seccional e do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) têm certeza de que o furto não teria ocorrido se os vigias estivessem, pelo menos, na sala de monitoramento. Segundo eles, bastava ligar para o 190 e, em minutos, os bandidos seriam presos. A polícia quer saber ainda por que a tentativa de invasão do museu, três dias antes do furto, não foi informada ao 78º Distrito Policial. Os bandidos usaram um maçarico para tentar arrombar uma porta nos fundos, mas desistiram ao serem flagrados por um vigia.

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