PM vai monitorar presos do PCC que saírem para Dia dos Pais

A Polícia Militar vai montar uma operação para monitorar os passos dos integrantes do Primeiro Comando da capital (PCC) que receberem da Justiça o benefício de passar o Dia dos Pais em casa. A inteligência da PM preparou, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), uma lista com 113 nomes de integrantes da facção que estão cumprindo pena em regime semi-aberto e, portanto, teriam direito ao benefício.A PM ainda não sabe quantos desses 113 foram impedidos pela Justiça de sair de seus presídios e quantos foram autorizados. "Eles vão receber tratamento especial de monitoramento, mas a nossa opinião é de que eles não deveriam sair, afirmou o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante-geral da PM.O coronel disse que esses 113 são soldados e pilotos do PCC que teriam capacidade para, em liberdade, montar novas células da organização para novos ataques. Segundo a polícia, além desses 113 existe a possibilidade de existir outros integrantes desconhecidos da organização entre os 12 mil presos que devem visitar os pais.A importância da tentativa da PM de impedir a saída desses integrantes do PCC das prisões está relacionada ao fato de a inteligência da polícia ter há quase 20 dias informações de que a facção planejava atentados e rebeliões para o fim de semana do Dia dos Pais. A organização teria ainda dado ordens para que seus integrantes evitem conversar por telefone celular. Na análise de integrantes da inteligência do Exército, existe a possibilidade de que membros do PCC deixem os presídios levando mensagens por escrito que serão transmitidas aos criminosos em liberdade em pontos de encontro predeterminados.Para enfrentar a ameaça de atentados no fim de semana, a Polícia Militar está de prontidão. Folgas foram suspensas e serão feitos blitze e bloqueios em todo o Estado. "Pode ter certeza de que a reação será fulminante", afirmou o coronel Eclair.Desde que os ataques recomeçaram na madrugada de segunda-feira, a PM já contou sete suspeitos mortos e 42 presos. Desde maio, quando o PCC fez sua primeira grande onda de atentados, já foram presos 554 acusados de participação nos ataques e na facção.Tanto a PM como Exército acreditam que a nova onda de ataques está decrescendo por causa da reação policial e porque a Justiça concedeu aos presos o direito de sair das prisões no Dia dos Pais, o que o PCC reivindicava. "Esse é um fator importante", disse Eclair. Segundo ele, há mais uma causa: a impossibilidade de uma organização criminosa manter ações prolongadas.

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