Fabio Motta/AE-13/1/2009
Fabio Motta/AE-13/1/2009

PMDB busca alianças para frear PT

Em encontro sobre eleições de 2012, sigla vai defender que diretórios busquem outros partidos para manter hegemonia em prefeituras

Christiane Samarco e Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

Preocupado com a possibilidade de avanço do PT na conquista de novas prefeituras nas eleições de 2012, o PMDB decidiu reagir e vai lançar hoje documento com a permissão para o fechamento indiscriminado de alianças partidárias. A proposta, que servirá de base para as discussões do Congresso do partido programado para a primeira semana de dezembro, também trará pontos programáticos em áreas como educação, saúde e segurança, além da posição contrária ao controle da imprensa.

"O partido se criou na luta contra a censura. A liberdade de imprensa é um valor do PMDB. A democracia para nós é mais do que um princípios; é um estilo de vida", afirmou o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Moreira Franco. Há duas semanas, o PT aprovou em seu 4º Congresso resolução em que defende o marco regulatório para a imprensa. O PMDB desistiu de aprovar hoje uma moção de repúdio ao controle da mídia, conforme chegou a ser proposto por parte da bancada.

Com 1.165 prefeitos, o PMDB vai lutar para manter seu espaço nos municípios. O partido decidiu que vai ter candidatura própria nos municípios com mais 200 mil habitantes. Uma das estrelas é o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), recém filiado ao partido e pré-candidato à prefeitura paulistana. "Nada me faz desistir da prefeitura", disse ontem Chalita, quando seu nome foi cogitado em tom de brincadeira para substituir o Pedro Novais na pasta do Turismo. "Nem ministério do Turismo nem da Educação", afirmou.

Prefeituras. O PT comanda hoje cerca de 400 prefeituras. A estratégia do partido, que tem à frente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é ampliar o máximo possível o número de municípios comandados por petistas. "É claro que o PMDB está preocupado com o avanço do PT nas prefeituras. Até porque perdemos muito espaço no governo", disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

"O PT legitimamente quer passar o PMDB na quantidade de prefeituras", observou o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), um dos organizadores do fórum nacional do partido. "A eleição municipal é uma luta que não tem parceiro; é uma guerra", completou. A ideia é liberar as alianças com todos os partidos. O presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), começou a percorrer os 27 estados para tentar fechar coligações.

Além de Chalita em São Paulo e Eduardo Paes, que é candidato à reeleição no Rio, o PMDB aposta em outros nomes para disputar as eleições municipais de 2012. É o caso do radialista e ex-prefeito Mário Kertez, apoiado por Geddel Vieira Lima e pelo DEM, em Salvador; e o deputado Raul Henry, em Recife, apoiado por PSDB, DEM e PPS.

Documento. No documento que será lançado hoje na presença de cerca de três mil vereadores, prefeitos, parlamentares e governadores, o PMDB vai lembrar que é "coautor" na conquista de "um alto patamar de crescimento econômico com distribuição de renda, a partir de uma política econômica que sempre esteve na base de nosso programa, fazendo com que brotasse de segmentos antes pobres uma nova e pujante classe média".

E é de olho nessa classe média que o PMDB preparou seu programa que servirá de base para as campanhas municipais do ano que vem. "O grande desafio do PMDB hoje é desenvolver políticas públicas voltadas para a classe média, onde estão 52% da população brasileira e a maioria dos jovens", argumentou Moreira Franco, um dos ideólogos do documento peemedebista.

Em São Paulo, Chalita e Michel Temer sofrem pressão dos petistas para apoiarem um nome indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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