PMDB elege velhos redutos para crescer em SP

Eixo do partido para 2012 liga Campinas, berço do quercismo, a Sorocaba, trincheira do antigo MDB, que representam quase 2 milhões de eleitores

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2011 | 00h00

O projeto do PMDB de reconquistar terreno no Estado de São Paulo nas eleições municipais de 2012 vai montar sua principal trincheira no eixo Campinas-Sorocaba, que soma quase 2 milhões de eleitores. São regiões emblemáticas para o partido: Campinas foi berço do quercismo e Sorocaba, um dos primeiros grandes redutos do antigo MDB.

A mobilização já está em marcha. "Vamos ter candidatura própria, conforme a orientação do PMDB estadual e nacional", garantiu o presidente do PMDB campineiro, Arnaldo Salvetti, para quem a cidade é a mais importante do ponto de vista eleitoral depois de São Paulo. Entre os nomes cotados para a disputa estão o professor Eduardo Coelho, o ex-vice-prefeito Carlos Cruz, a advogada Tereza Doro e o vereador Dário Saadi. O ex-secretário de Habitação e da Fazenda de São Paulo José Machado de Campos Filho também se filiou ao PMDB campineiro.

Paulista do interior e líder nacional da sigla, o vice-presidente Michel Temer entregou a articulação política do partido a lideranças regionais afinadas com as metas do que chama de "novo PMDB". Entre os líderes que emergiram após a morte de Orestes Quércia está o presidente estadual Baleia Rossi, filho do ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Sob a orientação de Temer, ele tem se dedicado a garimpar nomes para a disputa de 2012.

"Teremos candidatos a prefeito ou vice na maioria das cidades", disse. Segundo ele, o partido detém 70 prefeituras, mas está presente nos 645 municípios paulistas. "Temos um plano que começa com a conquista de pelo menos 100 prefeituras em 2012, o que nos dará força para ganhar o governo do Estado em 2014."

Para mudar a cara do PMDB paulista, Rossi teve aval para intervir em 14 Executivas municipais. Com a justificativa de "arejar e dinamizar" a sigla, antigos diretórios foram dissolvidos e novas lideranças foram nomeadas.

Ofensiva. Em Sorocaba, o pré-candidato está até definido: será Renato Amary, prefeito duas vezes e ex-deputado pelo PSDB. Amary deixou o partido no qual exercia liderança e se filiou ao PMDB já com o propósito de tomar a prefeitura dos tucanos, que a dominam há 15 anos. Ele também assumiu a coordenação da sigla na região e o objetivo é chegar forte nas eleições em cidades como Itapetininga, Tatuí e Itu.

O partido vem conquistando filiações importantes. O prefeito de Jaguariúna, Gustavo Reis, que havia deixado o PPS, se filiou ao PMDB. O de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira, é outro que chega, após deixar o PDT. "Tive uma conversa com o Temer e, como o partido está se renovando e buscando novas lideranças, vejo uma oportunidade de crescimento político", disse Nogueira.

Em outras regiões do Estado, o PMDB aposta em políticos já testados nas urnas para conseguir mais prefeituras. Em Ribeirão Preto, está cotado o atual vice-prefeito Marinho Sampaio, que em julho assumiu o cargo durante as férias da prefeita Darci Véra (DEM). O deputado Edinho Araújo deve estar no páreo em São José do Rio Preto.

Segundo Baleia Rossi, que dissolveu o diretório e a executiva do partido no município, colocando em mãos de novas lideranças, o deputado é candidato natural e tem tudo para ser vitorioso.

Em Bauru, o prefeito Rodrigo Agostinho deve disputar a reeleição e as discussões giram em torno do vice. Ele foi indicado para reorganizar o PMDB na região. O vereador Renato Purini assumiu a presidência local do partido após a intervenção de Rossi. Os peemedebistas preparam ainda uma grande festa para a refiliação de um antigo líder: o ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho, que administrou São Paulo entre 1991 e 95. Prefeitos e ex-prefeitos irão em caravana à solenidade, na sede estadual do PMDB, na quinta-feira.

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