PMDB indica Temer para vice de Dilma

Em uma campanha em que o tempo de propaganda na TV e no rádio joga um papel importante, a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, obteve ontem do PMDB, partido com a maior grade no horário eleitoral, um gesto concreto de apoio que poderá acrescentar 5min47s diários ao programa de televisão da ex-ministra da Casa Civil.

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

A Executiva Nacional do partido decidiu, por aclamação, levar a proposta de aliança formal com o PT à convenção partidária de 12 de junho, com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), no posto de candidato a vice.

Antes da reunião, no entanto, Temer telefonou ao presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, para lembrar que a parceria está condicionada à solução de alguns conflitos entre os dois partidos nos Estados. Os dois fixaram o prazo de 6 de junho para resolver o principal deles: Minas Gerais.

"A solução em Minas será no dia 6 e, nos demais Estados onde há dúvidas, teremos de hoje ao dia 12 para solucionar", disse Temer. Em seguida, declarou-se "orgulhoso" da indicação e disposto a viajar em campanha pelo País. "É claro que serei um vice nos limites da Constituição, porque sou legalista. E serei extremamente discreto, como convém ao vice", argumentou o deputado.

"O Michel é unanimidade para vice. A dúvida é se vale a pena coligar, em função das decisões do PT nos Estados", emendou o secretário-geral do PMDB, deputado Mauro Lopes (MG), logo depois da reunião. Lopes bem que tentou colocar a questão mineira para a Executiva, mas o líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), ponderou que os Estados têm prazo para resolver as pendências.

Minas. Encerrado o encontro, porém, ele fez questão de destacar que a definição em Minas ? onde o senador peemedebista Hélio Costa lidera as pesquisas de intenção de voto e os petistas se recusam a assumir o desgaste de renunciar à candidatura própria ? tem peso na definição da aliança nacional. Mauro Lopes lembrou que os mineiros somam 68 votos de convencionais ? 10% do total.

"Com o maior número de delegados entre os Estados, Minas será o fiel da balança na convenção", afirmou Lopes, destacando que o PT tem até o dia 6 para se definir.

Presente à reunião, o ex-senador Welington Salgado, suplente de Hélio Costa, queixou-se da ausência de Pimentel em reuniões dos mineiros.

"Para lidar com o PT é preciso ter muita paciência", disse. "E o Hélio tem me surpreendido por ser tão paciente." Não foi o único a registrar queixas. "Eu já desisti da aliança com o PT em Rondônia", declarou o senador Valdir Raupp (PMDB), que deve disputar a reeleição contra a senadora petista Fátima Cleide.

Problemas. Também há problemas entre petistas e peemedebistas na Bahia, no Ceará, no Pará, no Piauí, em Tocantins, no Paraná, em Santa Catarina e em Roraima. Isso sem falar nos casos em que a parceria local já foi descartada e os peemedebistas ameaçam se aliar ao PSDB na disputa presidencial, como Acre, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

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