Dida Sampaio/AE-24/3/2011
Dida Sampaio/AE-24/3/2011

PMDB já questiona indicação de Gleisi

Partido de Michel Temer vai até o fim com Palocci e não entende nomeação de uma petista que abriu ''fogo amigo'' contra o demissionário

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

O PMDB recebeu mal a indicação da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) para substituir Antonio Palocci no comando da Casa Civil. O que mais irritou os peemedebistas que estiveram firmes e solidários na defesa de Palocci foi o fato de o cargo dele ter sido entregue exatamente à petista que "pediu a cabeça do ministro".

Dirigentes peemedebistas consideraram "surreal" o fato de o lugar de Palocci ser ocupado por uma senadora do PT, Gleisi Hoffmann, que, na opinião deles, esteve na linha de frente do "fogo amigo" contra o ex-ministro da Casa Civil.

Há duas semanas, durante um almoço da bancada do PT com Lula, Gleisi perguntou ao ex-presidente até que ponto valeria "queimar gordura" para defender Palocci por causa de um projeto pessoal do ministro, se ele não dava explicações sobre a evolução do seu patrimônio. Setores do partido deixaram vazar a informação de que ela estaria defendendo sua demissão.

Escanteio. Maior partido da base aliada e sócio do governo na condição de inquilino da Vice-presidência da República, o PMDB não participou das articulações em torno da troca de comando na Casa Civil e nem sequer as acompanhou.

O vice-presidente Michel Temer só foi chamado ao Palácio do Planalto por volta das 17h de ontem, quando já estava tudo decidido. Foi avisado pela presidente Dilma Rousseff de que Gleisi havia sido a escolhida.

Além do comunicado ao vice, a única sinalização enviada ao PMDB foi a de que, ao menos por enquanto, não deverá haver outras mudanças na articulação política do governo, além da troca de ministro.

Base valorizada. Nem tudo é negativo para o PMDB na crise Palocci. A cúpula do partido avalia que, independentemente do desfecho, o episódio "zerou o jogo" porque mostrou a importância do partido para a estabilidade política do governo.

Afinal, a troca na Casa Civil se deu na iminência de o Senado reunir as 27 assinaturas de parlamentares necessárias à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o crescimento do patrimônio do ministro e a suspeita de tráfico de influência. Nesse ponto, eles concordam com a comparação feita pela nova ministra, que, durante o almoço da bancada petista com Lula, remeteu o momento atual à crise do mensalão. Em 2005, o escândalo da transferência de recursos a parlamentares da base pôs em risco o mandato do presidente.

Os peemedebistas não foram os únicos a ver o "lado bom" da crise. Um senador do PTB comentava ontem que ela foi "a melhor coisa que aconteceu", para justificar: "Agora a gente (da base governista) vale alguma coisa porque, até aqui, não estávamos valendo nada".

Alguns peemedebistas receberam telefonemas de agradecimento de Palocci pelo apoio prestado, ontem, antes da demissão. Nesse cenário, um dirigente da legenda afirma que "mostrar ansiedade, agora, seria inabilidade". Ele aconselhou os correligionários a "esperarem sua vez", na expectativa de que o partido venha a ter "espaço mais qualificado, mais adiante".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.