Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

PMDB monta 'blocão' e aumenta pressão sobre petistas na formação do governo

Transição. Partido do vice-presidente eleito, Michel Temer, assume comando de bancada de 202 deputados ao formalizar aliança com outras quatro legendas, deixa o PT isolado na Câmara e amplia força nas negociações para a montagem do ministério de Dilma

Denise Madueño/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2010 | 00h00

Em uma manobra política deflagrada de surpresa, o PMDB formou um megabloco de deputados na Câmara com outros quatro partidos da base aliada e conseguiu, ao mesmo tempo, deixar a futura presidente Dilma Rousseff refém do interesse desses partidos na formação do ministério e isolar o PT na disputa por cargos no Legislativo.

Juntos, PMDB, PP, PR, PTB e PSC vão somar no próximo ano 202 deputados, 55 a menos do que a maioria absoluta dos 513 parlamentares da Casa. Com esse número de parlamentares liderados pelo PMDB, Dilma terá, obrigatoriamente, de negociar com o "blocão" para conseguir aprovar projetos de seu interesse e reformas constitucionais.

A formação do bloco à revelia do PT, principal aliado do PMDB, foi anunciado pelos líderes na tarde de ontem. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, sequer foi avisado da decisão pelo presidente do PMDB e vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), com quem almoçava enquanto os líderes dos cinco partidos fechavam o compromisso do "blocão" no Congresso. Temer não tocou no assunto, segundo relato de petistas surpresos com o "golpe" do PMDB.

A nova formação ameaça as pretensões do PT de ocupar a presidência da Câmara e adotar o revezamento na presidência do Senado com o PMDB.

Mesmo na hipótese de formar bloco com o PSB, o PDT e o PC do B, também da base, os petistas terão uma bancada de 165 deputados, insuficiente para enfrentar o megabloco na disputa e para garantir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), atualmente nas mãos do PMDB, por onde passam todos os projetos e as propostas de emendas constitucionais.

"Jogo arrumado". A intenção dos partidos foi externada pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "Queremos mostrar a Dilma o jogo arrumado. Uma coisa é pegar o tabuleiro organizado e outra é deixar a coisa solta, embaralhada. Ninguém quer ser surpreendido com um xeque-mate. Com o xeque-mate (o partido) faz o quê, sai do jogo?!".

O líder peemedebista reafirmou o desejo de a legenda manter o mesmo tamanho que ocupa hoje no primeiro escalão. O partido comanda os ministérios de Minas e Energia, Comunicações, Integração Nacional, Saúde, Agricultura e Defesa. "Cada dia a gente escuta que (Antonio) Palocci vai para as Comunicações, que (ministro Alexandre) Padilha vai para a Saúde. Só mexem com os nossos! Queremos evitar problemas para Dilma. Estão atirando nos outros e dificultando para ela", disse Henrique Alves.

Os líderes desses partidos assumiram compromisso de atuarem para defenderem seus interesses na formação do governo. O PMDB, além da cobiça por ministérios, joga o PT contra a parede na sucessão no Senado: ou o partido fica fora do jogo ou o bloco comandado por peemedebistas tenta eleger também o presidente da Câmara nos dois biênios.

"Não é para confrontar. É para organizar o trabalho nesta Casa e fora dela, na composição do governo", disse Henrique Alves.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que cobiça a presidência da Câmara, reagiu: "É deselegante. Dilma não pode ser pressionada a ter um prato-feito. Não existe hipótese de a presidente ser tutelada por qualquer bloco.

O PP quer manter a indicação para o Ministério das Cidades e o PTB quer recuperar uma pasta. O PSC também deseja ser reconhecido. Para o "blocão", cabe ao PT, com 17 pastas, ceder o lugar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.