PMDB nega palanque a Dilma no RS

Decisão, somada a problemas em outras sete regionais e negativas estaduais, sinaliza que há risco de a aliança nacional se desfazer

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

Rival histórico do PT, o PMDB do Rio Grande do Sul não dará palanque à presidenciável petista, Dilma Rousseff. A decisão, somada à negativa de quatro Estados e a problemas em mais sete regionais, que se aproximam do candidato tucano José Serra, sinaliza que há risco de a aliança nacional patrocinada pelo Planalto se romper.

A conselho de líderes regionais, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), adiou para 12 de junho o anúncio formal de sua presença como vice de Dilma, que seria amanhã.

Dirigentes do PMDB aproveitam tropeços de Dilma para tirar vantagens do PT nos acordos estaduais e, para ampliar a capacidade de barganha do partido, falam na construção de uma "porta de saída" para Temer. Nessa engenharia da pressão, o desempenho da ex-ministra nas pesquisas é fator predominante.

Integrantes do PMDB vinculados ao Instituto Ulysses Guimarães estão empenhados em levar adiante um movimento - denominado Estradas e Bandeiras - que defende candidatura própria do partido à Presidência.

"Essa aliança nacional não está segura. Aqui no Rio Grande, você caminha na rua e os peemedebistas dizem que não votam no PT", afirma o deputado gaúcho Darcísio Perondi, para quem "tudo pode acontecer", a depender da solução dos conflitos em Estados-chave como Minas, Bahia e Pará. Ele avalia que, dos 487 diretórios municipais do PMDB gaúcho, "mais de 100%" não querem aliança com o PT.

Porta de saída. O movimento pretende abrir a tal "porta de saída" para Temer. Como a regional paulista é comandada por Orestes Quércia - já aliado a Serra - que disputará o Senado na coligação do PSDB, Temer sabe que não terá espaço em São Paulo no caso de não ser vice de Dilma.

Se a petista não decolar até o final de junho, o próprio Temer poderia encampar a candidatura própria. Amigos de Temer dizem que a tese do candidato próprio e o programa de governo do PMDB, praticamente pronto, são instrumentos para dar opção ao presidente da legenda. Um dirigente do partido diz que, não por acaso, o presidente da Fundação Ulysses Guimarães é o deputado gaúcho Eliseu Padilha, que foi ministro nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso e mantém diálogo com Serra.

Na lista dos peemedebistas que "seguraram" o anúncio formal da parceria de Temer com Dilma, está o deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, que disputará o governo da Bahia com o PT do governador Jaques Wagner, que busca a reeleição. Também figura o deputado Jader Barbalho, que se lançou na briga pelo governo do Pará contra a governadora petista Ana Júlia Carepa e já decidiu que, mesmo na hipótese de concorrer ao Senado, o PMDB terá candidato contra ela.

O PT pode até fechar a chapa presidencial com o PMDB, dando a Dilma os preciosos minutos do partido no programa gratuito de rádio e TV. Mas a candidata não terá apoio do conjunto do partido, como sonhara o presidente Lula quando negociou a vice com o PMDB. O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, já avisou Temer que não atrapalhará sua indicação para vice de Dilma, na convenção, mas seu palanque será de Serra. Restará a Dilma a opção de tocar a campanha no Estado com José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que quer voltar ao governo.

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