PMDB prepara programa de governo para ministra

Líderes do partido querem se contrapor aos petistas com apresentação de propostas 'equilibradas'

Denise Madueño, Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2010 | 00h00

/ BRASÍLIA

Virtual aliado da candidatura da petista Dilma Rousseff à Presidência da República, o PMDB decidiu preparar um programa de governo que sirva de contraponto às propostas do PT.

As propostas ? que contaram com a colaboração do ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, da Secretaria de Assuntos Estratégicos ? serão apresentadas em um congresso do partido, marcado para o dia 8 de maio. Com o programa, a cúpula do PMDB quer delinear o espaço que pretende ocupar em um eventual governo da atual ministra da Casa Civil. "A ideia é fazer um programa que mostre a cara do PMDB, que é de equilíbrio e bom senso. Queremos resgatar a postura de centro e equilibrada do PMDB, com avanços sociais de políticas públicas", resumiu ontem o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

Economia. Cristão novo no partido, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi chamado para elaborar a parte econômica do programa. A ideia é cacifar Meirelles, que chegou a ser cogitado para vice-presidente na chapa de Dilma, para vir a ocupar um cargo de destaque na área econômica em um eventual futuro governo petista.

Integrantes da Executiva do PMDB chegaram a um consenso ontem de que é preciso elaborar um programa de governo que sir"va de contraponto ao "radicalismo" de algumas propostas petistas. As palavras de ordem foram "equilíbrio e moderação". A agricultura deverá ser um dos setores em que os peemedebistas deverão propor medidas mais amenas e menos polêmicas do que as propostas petistas.

O programa do PT prega, por exemplo, a ampliação do papel do Estado na economia, o combate ao monopólio dos meios de comunicação, a cobrança de impostos sobre grandes fortunas e uma jornada de trabalho de 40 horas semanais sem redução de salário. Além disso, apóia o polêmico Plano Nacional de Direitos Humanos e a atualização dos índices de produtividade para efeito de reforma agrária.

Centro. Segundo o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), o programa do partido deverá ser incorporado em um eventual governo do PT . "Não vamos nem aceitar prato feito nem brigar para fazer eventualmente coligação. Vamos dialogar. Você só faz coalizão dialogando e, agora, dialogando com programas de governo", disse Temer. "Nós reunimos pessoas do PMDB com vocação para a elaboração de um plano de governo e discutimos a formulação de um plano de governo do PMDB. Ficaremos com esse plano preparado para a eventual aliança. A ideia é que, se houver aliança, haverá junção de programas."

A ideia é elaborar um texto sintético, objetivo, com diretrizes claras e que traga o programa do PT, mais radical, para uma posição de centro.

Até o dia 12 do próximo mês, o grupo vai apresentar as propostas, que serão sistematizadas em um texto básico a ser enviado aos diretórios regionais, deputados e senadores para a apresentação de sugestões. O texto final do programa será fechado no dia 4 de maio.

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