Beto Barata/AE - 4/1/2011
Beto Barata/AE - 4/1/2011

PMDB quer influir em decisões políticas e exige regra para definição de cargos

Cúpula peemedebista decide, durante jantar, que reivindicações a Dilma Rousseff serão apresentadas em conjunto; partido cobra promessa, feita durante a campanha, de que seria parceiro estratégico e teria poder de opinar sobre ações de governo

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2011 | 00h00

Dirigentes do PMDB e seus principais ministros decidiram se unir para cobrar da presidente Dilma Rousseff o que, afirmam, lhes é devido na condição de "sócios da vitória": a montagem de um protocolo de divisão mais igualitária do poder com o PT, respeito aos espaços do partido e assento nos conselhos que definem os rumos políticos e as medidas do governo. A decisão foi tomada em jantar na noite de terça-feira da cúpula do PMDB na casa da governadora Roseana Sarney (MA) em Brasília.

A cúpula peemedebista não aceita ficar de fora das reuniões do núcleo do poder no Palácio do Planalto, o que já estava avisado desde a campanha presidencial. Avalia que é hora de demonstrar unidade, não só para garantir presença em todos os conselhos políticos de Dilma, como para evitar que petistas ocupem ministérios do PMDB, avançando sobre posições da legenda no segundo escalão federal.

Orientado em boa parte pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que abriu o debate durante o jantar sobre o tamanho da representação do partido, o PMDB decidiu que não deve se desgastar tratando de cargos no varejo. A opção, sugeriu o ministro, é definir com a presidente o real status do partido no poder. "E logo", aconselhou.

Estavam no jantar, além de Jobim e do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), todos os ministros peemedebistas e parlamentares da sigla.

Um dos convidados da governadora conta que Jobim abriu o debate lembrando os espaços que o partido ocupava no governo Lula. Tudo para observar, ao final, que o PMDB continuava "raquiticamente representado e alijado do núcleo de poder", contrariando as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Sarney também deu um testemunho no mesmo sentido e Temer concordou, embora ressaltando seu relacionamento pessoal com Dilma: "Ela me trata muito bem." O partido o encarregou de levar os problemas e as demandas ao conhecimento da presidente.

A ordem é não lamentar postos já perdidos. "O que passou passou", disse Roseana, quando um dos convidados citou as presidências da Eletrobrás e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Entre as posições que o PMDB não quer perder de forma alguma para o PT foram mencionadas a presidência da Transpetro e diretorias na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, foi alertado de que o petista Aloizio Mercadante, na Ciência e Tecnologia, já fala que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deveria estar no ministério dele.

Na saída, Temer disse que o jantar foi "apenas uma reunião social" e que o PMDB não está disputando cargos e vai esperar a decisão de Dilma. "Haverá, naturalmente, uma divisão equitativa entre os partidos."

Em meio ao alerta geral para que todos os peemedebistas tomassem cuidado com as investidas de petistas, a anfitriã Roseana e Jobim advertiram que não era bom que um ministro, sozinho, "peitasse o PT". A ideia é fugir das queixas pessoais para transformá-las em reivindicação do conjunto. Roseana pediu, ainda, mais articulação dos cinco governadores do partido. / COLABOROU EUGÊNIA LOPES

AGENDA DE CONFLITOS

Orçamento

Dilma Rousseff vai ter de definir quais serão os cortes no Orçamento. Segundo o ministro Guido Mantega, será necessário fazer cortes de pelo menos R$ 25 bilhões. Preventivamente o governo deve fazer um bloqueio geral do Orçamento, para que Dilma tenha tempo de analisar, com os ministros, áreas e programas prioritários.

Inflação

O novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini (foto), já demonstrou, ao tomar posse, a preocupação em reduzir as metas de inflação ao longo do governo Dilma. A presidente quer tratar da pressão inflacionária na primeira reunião ministerial, a ser realizada no dia 14. Ela pediu que seja feita uma exposição econômica aos ministros.

PMDB x PT

Os aliados do PMDB pressionam a presidente Dilma Rousseff por conta da distribuição de cargos no segundo escalão. O líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves é porta-voz da insatisfação. Após ter perdido áreas estratégicas para o PT, como Comunicações e Saúde, o PMDB, agora, quer evitar perdas no segundo escalão.

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