PMDB recua e, agora, admite votar a favor de licitação especial para a Copa

Ofensiva de ministros, a pedido de Dilma, e promessa do Planalto de agilizar nomeações de cargos, levam dirigentes do partido a mudar o discurso um dia após terem criticado proposta original do governo que prevê sigilo dos orçamentos das obras

Andrea Jubê Vianna, Leandro Colon, Edna Simão e Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

Um dia depois de contestar o sigilo nas licitações de obras da Copa do Mundo de 2014, o PMDB mudou o discurso. Ontem, lideranças peemedebistas no Senado deram declarações de que o partido deve seguir a orientação do Palácio do Planalto e votar a favor da Medida Provisória 527 que propõe o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), cujo teor permite ao governo manter sobre sigilo o valor estimado de obras e contratações durante o processo de licitação para a Copa. O convencimento peemedebista ocorreu após o Planalto explicar detalhes da medida e anunciar que fará esforços para atender aos pleitos do partido por cargos.

A mudança de tom foi vocalizada pelo presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO). "Não existe sigilo. O texto busca evitar o conluio de empresas no momento da licitação", afirmou.

O partido mudou de postura política após o movimento ordenado pela presidente Dilma Rousseff para que os peemedebistas fossem procurados para discutir a proposta.

Ontem pela manhã, Dilma convocou uma reunião de emergência com os ministros Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, e Orlando Silva, do Esporte. No encontro de uma hora, os ministros relataram a Dilma que já haviam procurado o comando do PMDB. Ideli, inclusive, distribuiu um estudo à bancada. A presidente pediu aos ministros que seja mantida a posição de aprovar o RDC nem que seja preciso a visita deles ao Senado para explicar a proposta.

Orlando Silva e Ideli Salvatti, por exemplo, conversaram com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Informaram a Dilma que Sarney amenizou as declarações dadas por ele contrárias à proposta. Na segunda-feira, Sarney havia afirmado que o Senado poderia derrubar a proposta de manutenção do sigilo do valor estimado durante a licitação. "Não sei por que foi incluído esse sigilo", disse Sarney.

No dia seguinte, diante da ofensiva do Planalto, Sarney disse aos ministros que se atrapalhou nas respostas a jornalistas e deu sinais de que está disposto a seguir a orientação do governo.

O Palácio mandou o recado de que fará esforços para atender aos pedidos de nomeações do PMDB para pelo menos 48 cargos. Foi o que Ideli disse a Sarney num jantar na terça-feira.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi outro que passou a agir em sintonia com o Palácio, após ter admitido a possibilidade de mudanças no texto. "Não existe obra sigilosa, existe um procedimento licitatório que não tem preço de referência divulgado." Já o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), afirmou que a aprovação do RDC "dependerá do poder de convencimento" do governo.

Na avaliação do governo, os ataques à MP são estimulados por setores empresariais. "Na nossa opinião, a crítica real feita ao sigilo na licitação vem por parte de setores econômicos, empresas que estão acostumadas a combinar preços previamente", disse ao Estado Orlando Silva.

Dilma pediu aos ministros celeridade na votação da MP na Câmara e no Senado. Se necessário, o Planalto poderá negociar a proposta do senador Aécio Neves (PSDB-MG) que muda o rito da tramitação das medidas provisórias. O texto prevê que uma comissão preliminar de parlamentares analise a validade da MP e dá ao Senado prazo de 45 dias para examiná-la após apreciada, dentro de 50 dias, pela Câmara.

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