PMDB tenta mensurar impacto de crise no Rio

De olho nas eleições de 2012, partido encomenda pesquisa para avaliar o nível de conhecimento dos eleitores sobre os episódios envolvendo Cabral

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2011 | 00h00

O PMDB fluminense encomendou uma pesquisa para medir o impacto eleitoral das crises enfrentadas pelo governador Sérgio Cabral no último mês. Entre sexta-feira e domingo, uma empresa contratada pelo partido vai às ruas para perguntar à população se Cabral ultrapassou limites éticos ao viajar no jato particular de Eike Batista e ao participar da festa de aniversário do dono da empreiteira Delta, que tem contratos de R$ 1 bilhão com seu governo.

Há 50 perguntas no questionário, elaborado pelo instituto de pesquisas e aprovado pelo diretório regional do partido. Pelo menos 15 itens avaliarão as relações entre Cabral e os empresários.

As eleições municipais de 2012 são a preocupação imediata das lideranças do PMDB do Rio, pois Cabral é considerado um cabo eleitoral implacável no Estado. Os dirigentes peemedebistas acreditam que a imagem do governador não foi arranhada pelos dois episódios, mas adotam uma posição de "cautela" para traçar as estratégias da legenda no próximo ano.

O partido quer saber qual o nível de conhecimento dos eleitores em relação ao envolvimento de Cabral com os empresários, além de sua opinião sobre a conduta do governador.

A pesquisa também pedirá aos eleitores que avaliem a atitude do governador durante os protestos dos bombeiros do Estado, que ocuparam o quartel-central da corporação no dia 3 de junho e foram presos, por ordem de Cabral. Na ocasião, o governador chamou os manifestantes de "vândalos" e "irresponsáveis", mas admitiu que estava errado semanas depois.

Impacto. Avaliações periódicas são feitas pelo PMDB para medir a popularidade do governador, mas o partido decidiu criar um questionário qualitativo depois das crises.

O partido do governador avalia que os dois casos não provocaram impacto em sua imagem, mas a oposição tenta ampliar as investigações sobre o episódio. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) deve entrar hoje com uma representação no Ministério Público Federal para que sejam apuradas as denúncias de que as famílias de Cabral e Cavendish teriam viajado a Nassau, nas Bahamas, a bordo do jato de Eike Batista.

Segundo o jornal O Globo, a aeronave de Eike ficou a disposição do governador por uma semana, em dezembro do ano passado. O avião teria transportado a primeira-dama Adriana Ancelmo e dois filhos do casal, além da mulher de Cavendish, Jordana, um de seus filhos e três babás. Dias depois, o jato ainda teria retornado ao Rio para transportar Cabral até a ilha.

O governo do Estado informou que Cabral "já falou sobre o assunto" e que não se manifestaria sobre as informações publicadas ontem. A EBX também não comentou o caso.

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