PMs achacam dono de caça-níqueis

Acusação do Ministério Público é baseada em investigação da Corregedoria; tenente e cabo estão presos

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2008 | 00h00

Um grupo de policiais do 4º Batalhão da Polícia Militar criou um esquema de cobrança de propina em troca de proteção para caça-níqueis na zona oeste de São Paulo. Um tenente e um cabo foram presos e denunciados criminalmente pelo Ministério Público Estadual. Eles alegam inocência. Outros cinco policiais militares e civis são investigados sob a suspeita de participar ou ajudar o grupo. O esquema foi denunciado pelo gerente que tomava conta de máquinas na região da Lapa, conhecido como Magrão. Ameaçado de morte pelos PMs, a testemunha está sob proteção e tem o nome mantido em sigilo.Os homens da Corregedoria da PM passaram a apurar as denúncias. Em 18 de abril, os policiais detiveram em flagrante o cabo Vagner Silva Melo. Ele havia ido fardado - e em uma viatura da PM -, às 17 horas, a um bar da Avenida Agenor Couto de Magalhães, em Pirituba. No local, Magrão manteria máquinas caça-níqueis. O PM entrou no bar e foi logo perguntando ao balconista Adalberto Ferreira Lopes "se havia algo para ele". O empregado lhe entregou um envelope com R$ 350. O policial foi preso ao sair do bar.A Corregedoria descobriu que o grupo do cabo agia desde outubro de 2007. Os PMs teriam pego ainda propina num bar na esquina das Ruas Catão e Joaquim Machado, na Lapa. Ali, os pagamentos de R$ 2 mil eram mensais. Quem recolhia o dinheiro seria o tenente Edson de Almeida Fernandes.No dia 8 de maio, o tenente teria descoberto a identidade de quem havia denunciado o esquema e feito uma ameaça a Magrão. Fernandes era o comandante de força patrulha da região. "Ele se identificava como ?tenente João? e pedia R$ 2 mil para não apreender caça-níqueis", disse o capitão Marcelino Fernandes da Silva, da Corregedoria. Fernandes também apanhava a propina fardado e com viatura e, segundo uma testemunha, estava acompanhado por um homem que se dizia sargento. Ele teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Ronaldo João Roth, da 1ª Auditoria da Justiça Militar.Além do cabo e do tenente, os outros PMs investigados são um sargento, dois soldados e uma policial feminina do batalhão. Magrão ainda acusa um policial civil do 46º DP (Perus) de acobertar os PMs. Ele teria tentado denunciar os policiais na delegacia, mas foi aconselhado a "deixar quieto".

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