PMs acusados de atirar em menino têm prisão decretada

Justiça do Rio decreta prisão preventiva de dois policiais acusados de matar João Roberto em suposto tiroteio

da Redação, estadao.com.br

29 de julho de 2008 | 21h54

Dois policiais militares acusados de matar o menor João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, no dia 6 de julho, na Tijuca, zona norte do Rio, tiveram a prisão preventiva decretada na noite desta terça-feira, 29. O juiz Daniel Schiavoni Miller, do 2º Tribunal do Júri do Rio, acolheu a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra os PMs Elias Gonçalves da Costa Neto e William de Paula. Miller considerou que o laudo pericial, o boletim de atendimento médico da vítima, as declarações de testemunhas e da mãe do garoto e imagens do vídeo apreendido comprovam a acusação contra os PMs.   "Trato de crimes objetivamente graves - etiquetados como hediondos e inafiançáveis -, supostamente cometidos por policiais militares em serviço, justamente os agentes da lei, contra membros de uma família (genitora e seus dois filhos, um deles bebê) absolutamente inocente, sem envolvimento algum no delito que os denunciados suspeitavam ocorrer", afirmou Miller em sua decisão.    O magistrado enfatizou a necessidade de prisão dos acusados durante o processo, para garantir o trâmite regular da instrução criminal - ou seja, para impedir que os dois policiais intimidem testemunhas e/ou destruam provas, ou prejudiquem a sua coleta.   Segundo o juiz, a prisão preventiva é necessária para "garantir a ordem pública e regular instrução processual". Miller também argumenta que "há receio concreto de que os acusados - valendo-se de sua condição e decorrente autoridade que infundem na coletividade - mediante o desfazimento de provas e, principalmente, o desencorajamento a colaborar com a Justiça por parte das testemunhas, as quais são pessoas comuns do povo, atemorizáveis, venham, com o fim de adulterar a verdade, a perturbar a colheita dos elementos de convicção, com base nos quais os jurados, na qualidade de `juízes naturais da causa', oportunamente decidirão acerca dos fatos".   Daniel Miller lembrou que os incidentes que resultaram na morte do menino foram objeto de ampla divulgação na mídia nacional e geraram intensa repercussão negativa. "São causadores de real abalo à paz e tranqüilidade junto à população desta cidade, agravando acentuadamente seu sentimento geral de insegurança", completou.   O interrogatório dos policiais está marcado para o próximo dia 6 de agosto, às 13 horas. No início da audiência, serão exibidas imagens do fato contidas em fita de vídeo constante no processo.

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