PMs acusados de colaborar com milícias darão depoimento

A Polícia Civil do Rio irá convocar PMs da ativa que podem ter colaborado com um grupo de milícia que invadiu a Cidade Alta, na zona norte da cidade, para prestar depoimento. A favela foi alvo de milicianos (paramilitares que expulsam traficantes de comunidades carentes e cobram taxas para prestar serviços a moradores) no último final de semana, quando três pessoas morreram. O delegado Gilberto Dias, da 38ª Delegacia Policial, espera contar com a colaboração de moradores da Cidade Alta para chegar aos PMs. Ele tentará levantar nomes de homens do batalhão da área, o 16º, e também de outras unidades, que podem ter agido junto à milícia. Policiais civis, além de PMs, são suspeitos de participar de milícias. Há uma semana, o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, afastou o inspetor Félix dos Santos Tostes, sob investigação por suspeita de fazer parte do grupo que controla a Favela Rio das Pedras, na zona oeste. Tostes trabalhava diretamente com o antecessor de Ribeiro, Ricardo Hallack. Foi condecorado com medalha da Polícia Civil e outra da Câmara de Vereadores. Uma das favelas que mais crescem no Rio, Rio das Pedras jamais foi dominada por traficantes - e seria um dos redutos mais tradicionais de milícia. A Corregedoria da PM também investiga a suposta participação de policiais na invasão da Cidade Alta. O corregedor, coronel Paulo Roberto Paul, explicou que o procedimento aberto para apurar o envolvimento e a suposta utilização de um "caveirão" (carro blindado usado por policiais em operações em que há risco de confronto), teve como base "denúncia da mídia". O emprego do "caveirão" para beneficiar criminosos já foi investigado em outra ocasião - e na mesma área da cidade. Em dezembro de 2005, um blindado foi chamado à favela de Vigário Geral por PMs ligados a traficantes da favela rival de Parada de Lucas, conforme concluiu inquérito presidido pelo delegado Marcus Neves, então titular da 38ª DP.

Agencia Estado,

06 Fevereiro 2007 | 21h21

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.