PMs acusados de torturar e matar em Bauru são soltos

Militares estavam presos em SP; jovem morreu após receber choque elétrico

Jair Aceituno, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2008 | 00h00

Os soldados Emerson Ferreira, Juliano Arcângelo, Ricardo Ottavianni e Maurício Delasta e o cabo Gerson Gonzaga, que se encontravam recolhidos ao presídio militar Romão Gomes, em São Paulo, foram soltos na noite de anteontem e retornaram a Bauru. Eles são acusados de matar, com choques elétricos, o adolescente Carlos Rodrigues Júnior, de 15 anos, na madrugada de 15 de dezembro do ano passado. O tenente Roger Vitiver de Souza, que comandava a operação, continua preso à espera do julgamento de um recurso no Tribunal de Justiça do Estado.O juiz Benedito Antonio Okuno, da 1ª Vara Criminal de Bauru, decidiu relaxar a prisão preventiva por entender que depois de toda a instrução do processo, os policiais podem responder em liberdade. O tenente continua preso porque, no mês passado, seu advogado argüiu a falta de imparcialidade do juiz após aceitar a informação e mandar libertar um réu que denunciou ter sido torturado pelo policial para confessar a participação num assassinato. O magistrado rejeitou a argüição e enviou o caso para decisão de segunda instância. Enquanto o tribunal não se manifestar, o processo contra o tenente fica com os prazos congelados.Carlos Rodrigues Júnior era suspeito de ter participado do assalto a um mototaxista e roubado sua moto. Os policiais invadiram a casa do adolescente na madrugada e aplicaram-lhe choques elétricos que teriam provocado a morte do jovem. O caso teve grande repercussão, inclusive manifestação e quebra-quebra no bairro Mary Dota, de Bauru, um núcleo de mais de 3 mil casas populares. O governador José Serra decidiu indenizar a família mesmo antes do ajuizamento de ação judicial. A polícia apurou, em seguida, que a vítima teria participado de vários outros assaltos.TRABALHO INTERNOOs cinco policiais libertados apresentaram-se ontem à tarde ao comando do 4º BPM/I e deverão prestar serviços internos até a decisão de seus processos. Além do processo onde são acusados da prática de tortura e homicídio, eles também respondem a uma sindicância administrativa na Polícia Militar, que poderá decidir pela simples punição ou até pela demissão disciplinar. O cabo e os soldados também são arrolados como testemunhas na sindicância que analisa o comportamento do oficial.Para o advogado Sérgio Mangialardo, que defende quatro dos cinco libertos "o relaxamento da prisão preventiva é a demonstração de que a justiça de Bauru age com rigor, mas respeita os direitos dos réus, que mesmo sendo policiais e tendo participado de um caso de repercussão, não apresentavam qualquer motivo que justificasse a continuidade da prisão".O defensor do tenente, advogado Evandro Dias Joaquim, não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso e quais providências iria adotar.

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