PMs acusam morto de ter disparado contra eles

O auxiliar de limpeza do Hospital Samaritano Rogério dos Santos Dias, de 33 anos - morto ao ser baleado por policiais militares da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) que perseguiam suspeitos de furto de carro na zona leste da capital paulista - será averiguado por resistência à prisão seguida de morte. O inquérito foi instaurado pelo delegado Guilherme Solano Filho, do 64º Distrito Policial, de Cidade A.E.Carvalho, a quem os PMs apresentaram uma pistola de calibre 7.65 e afirmaram que Rogério disparou essa arma contra eles. Os familiares do morto estão revoltados, pois, segundo eles, Rogério jamais portou uma arma.A família afirma que, depois de jantar na casa da sogra, o auxiliar limpeza foi, com o filho de 10 anos, em seu Fox recém comprado, buscar a mulher, Vanda Barbosa da Silva, de 30, na Estação Itaquera do Metrô. Assim que chegaram de volta à residência da mãe de Vanda, surgiu na rua um Escort cinza, que era perseguido por dois policiais em motocicletas. Familiares inconformadosO veículo bateu a roda na guia e parou. Os ocupantes fugiram a pé. Os PMs continuaram disparando. Nesse momento, Rogério desceu de seu carro e, ao chegar na calçada, foi baleado no abdome. Logo em seguida, chegou ao local um carro da PM que o socorreu, levando-o ao Hospital Planalto onde o auxiliar de limpeza morreu.Vanda, que trabalha de auxiliar de enfermagem no Hospital 9 de Julho, vivia com Rogério há 13 anos e o casal tinha apenas esse filho de 10 anos, que presenciou a cena em que o pai foi baleado. Outro que também viu o que ocorreu é João Barbosa da Silva, de 40 anos, irmão de Vanda. João conta que os policias o intimidaram e apanharam seus documentos para averiguação, pela sua insistência em negar que o cunhado tenha disparado contra os PMs. Um irmão dele, que tentou entrar no hospital para ver o cunhado morto, foi algemado, jogado no chão e chutado por Pms, disse João. O principal motivo da revolta dos familiares de Rogério, que residia próximo dali, na Rua São João do Cariri,168, na Vila Norma, é que o delegado não levou em consideração nenhuma de suas declarações. A autoridade acatou apenas a versão dos policiais militares, que contaram até com a presença e apoio do comandante de seu batalhão, alegaram.

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