PMs atiram em bancário por engano, no Rio

Policiais afirmam que homem não obedeceu à ordem de parar o carro

Mônica Ciarelli e Adriana Chiarini, RIO, O Estadao de S.Paulo

20 Julho 2009 | 00h00

O funcionário da Caixa Econômica Federal Paulo Mory Vieira, de 55 anos, foi baleado no braço por policiais militares na noite de sábado, na Penha, bairro da zona norte do Rio, quando voltava de uma festa na casa de amigos. Segundo a polícia, Viera não teria obedecido a uma ordem dos PMs para parar o carro. Entretanto, o bancário e a mulher, Elizabeth Profilo, de 54 anos, contestam a versão e afirmam que os agentes chegaram já atirando, sem aviso prévio. O casal, que estava em um carro Renault preto, conta que, ao perceber que o veículo da PM vinha atrás deles com a sirene ligada, tentou dar passagem, mas os policiais continuaram seguindo o carro e logo começaram a atirar. O bancário foi ferido por um tiro de fuzil. "De repente, um policial veio, abriu a porta do carro e meu marido falou que estava baleado e ele, gritando e xingando, disse que quando pedissem para parar, era para parar. Mas em nenhum momento ele pediu que parássemos. Isso não dá o direito de ninguém sair baleando ninguém", disse a mulher. Ao perceberem o engano, os próprios policiais chamaram uma ambulância do Corpo de Bombeiros, que levou o bancário para o Hospital Getúlio Vargas, também na Penha. Após ser medicado, Viera foi encaminhado para exame de corpo de delito e depôs na 22ª Delegacia de Polícia, no mesmo bairro. Em depoimento, os policiais militares do 16º Batalhão da Polícia Militar de Olaria disseram que estavam perseguindo um outro veículo preto, com ocupantes não-identificados, que teriam atirado contra a viatura e fugido. Os policiais envolvidos não quiseram falar com a imprensa sobre o incidente. A Secretaria de Segurança do Estado afirmou oficialmente que o treinamento da Polícia Militar é rigoroso, exige prudência de seus integrantes e determina que eles só devem atirar para se proteger ou para proteger a população. A 22ª DP abriu inquérito para apurar o caso. A secretaria promete que, caso seja comprovada falta de prudência dos policiais militares, haverá punição "exemplar", com objetivo de evitar novos episódios semelhantes. O caso lembra o do menino João Roberto Soares, de 3 anos, morto no ano passado quando a polícia metralhou o carro dirigido por sua mãe, Alessandra Soares, na Tijuca, zona norte da cidade.

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