PMs diplomados em negociação em crise, no Rio

Dez meses após o trágico episódio do ônibus 174, no qual duas pessoas morreram, a Secretaria de Segurança Pública do RJ encerrou um curso avançado de negociação em crise. O secretário Josias Quintal declarou sentir-se "mais aliviado" ao entregar o diploma aos 23 alunos do curso, que durou duas semanas. "Qualquer fato que acontença agora, tenho certeza, será bem administrado", disse.Segundo Quintal, a idéia de promover o curso surgiu após o seqüestro do ônibus 174, ocorrido no dia 12 de junho do ano passado, na zona sul do Rio de Janeiro, quando a professora Geisa Gonçalves e o criminoso Sandro do Nascimento morreram.Durante várias horas um grupo de passageiros ficou sob a mira de uma arma, sem que ninguém na polícia conseguisse convencer o bandido a se entregar. "Com a condução ineficiente do caso nos sentimos com o dever de rever a estrutura do Estado. Nos demos conta de que a polícia não estava preparada para enfrentar questões emergenciais", admitiu Quintal.Curso - O curso foi organizado pelo Instituto de Segurança e teve uma turma composta por policiais civis e militares do Rio, Bahia, Espírito Santo e Pará, além do diretor e do vice-diretor do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) do Rio. "Foram selecionados aqueles que tenham algum tipo de conhecimento ou experiência na área de negociação de crises", explicou o coordenador do curso, tenente-coronel Luiz Fernando dos Santos de Azevedo.De acordo com Azevedo, as aulas incluíram o estudo da ciência do comportamento humano, de programação neurolinguística e de técnicas de persuasão empregados pelas polícias de Israel, da França, dos Estados Unidos e da Inglaterra. As aulas foram dadas por pessoas da Secretaria de Segurança e também contaram com a participação de uma professora americana, especializada na área de negociação. Foram também realizadas situações simulando casos com pessoas tomadas como reféns em lojas e bancos.Segundo o secretário de segurança, a idéia é realizar outros cursos do mesmo tipo ainda este ano. "Tudo indica que atos de vandalismo, de desobediência civil e atentados a bomba devem acontecer com mais freqüência e temos que estar preparados para enfrentá-los", disse, acrescentando que neste ano a polícia apreendeu o dobro de granadas do apreendido no ano passado.

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